MestreCardosoLavradorDeToadasCompositorDoMato19332012

Esta postagem é uma homenagem ao Mestre Cardoso, amo do Ouro Fino de Ourém, que faleceu esse mês, dia 20, em decorrência de um câncer que o debilitou lentamente desde maio, deixando-o com grande dificuldade para andar e cantar nas últimas semanas. São entrevistas e algumas músicas ainda inéditas, um tanto antigas, mas que finalmente edito e posto aqui na internet. É um material que acredito ser delicioso, principalmente pra quem conhece o Cardoso e está a fim de saber mais dele, já que ele fala bastante sobre a sua vida e sua arte: as toadas, o auto do boi, matanças, levantações, seus métodos de compor…

Essa primeira sequência é com 4 músicas que gravei no dia 14 de setembro de 2010, em Ourém, quando lá estive para reunir material pro meu disco mais recente. O tambor e o maracá foram tocados pelo próprio Cardoso. A faixa 3, “Que alegria!”, trata de um acontecimento que ainda estava “quente” na época – o reencontro do Mestre com seus familiares, quase 60 anos depois de sair da sua terra natal (essa história está contada aqui).

O Arlindo Matos, na casa de quem foram feitas essas gravações, registrou em vídeo o momento que o Cardoso canta “Avião Francês”, a toada que trata, assim como tantas outras do Mestre, de uma notícia “internacional”: a tragédia com o Airbus A330 da Air France, que havia caído no Atlântico no ano anterior. É o video editado pelo Arlindo que eu coloco aqui:

As entrevistas a seguir (exceto a da primeira faixa) foram todas feitas no programa “Sala de Reboco”, que apresentei entre 2004 e 2006, na rádio Tembés FM, em Ourém. Muitas vezes o Cardoso fala das músicas que iam ser apresentadas no dia da entrevista, mas os assuntos são os mais variados. Na segunda faixa (o Dominó) ele explica um jogo fantástico no uso da memória e da criatividade, que era praticado entre os amos de boi do seu Piauí – o Dominó, onde as peças eram substituídas por toadas rimadas, que eram postas no terreiro ao invés de postas na mesa. Na terceira faixa (A vinda para o Pará), ele conta o caminho que fez, boa parte a pé, quando saiu de Parnaíba, aos 20 anos, até chegar em Ourém, em 1993. A primeira foi feita em casa em dezembro de 2003, pouco depois de conhecê-lo. Cardoso fala sobre seu início na arte do boi, sua saída de Piauí, o costume de tirar licença para a brincadeira, o boi em Ourém, os personagens do auto, as dificuldades e o amor pela arte do boi-bumbá. Bem, os temas são diversos mesmo. Confira a seguir:

Reuni no álbum abaixo as fotos que tirei do Mestre ao longo desses anos. A mais antiga é da sua participação na FEMPO, a Feira de Música e Poesia de Ourém, em 2005. As mais recentes são do show que fizemos juntos em 2011, em Belém, no lançamento do meu disco “Do meio do século XX para o XXI“, todo com composições do Cardoso. No caminho, as brincadeiras nas ruas de Ourém, nas rádios, no Teatro da Paz e nos arrastões.

Mestre Cardoso – Lavrador de toadas, Compositor do mato (1933-2012)

Quem quiser ouvir a obra do Cardoso pode acessar esta página no site da FGC Producões. Lá estão disponíveis, para ouvir e baixar, mais de 120 músicas, além de outros vídeos e imagens. Aqui mesmo, no Blog FGC, publiquei diversas postagens sobre ele (com esta são 12). Elas estão reunidas aqui.

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Os apetrechos do Mestre

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Estou terminando mais um disco, o “Do meio para o século XX para o XXI”, com músicas de autoria do Mestre Cardoso. Esta é a capa que a Luciana Leal está finalizando pra ele. A foto é de uma cabeça de onça – uma peça arqueológica em cerâmica Tapajós, da coleção do Laboratório de Arqueologia Curt Nimuendajú, de Santarém.

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E aí embaixo estão outras propostas que a Lu fez antes de nos decidirmos por esta aí de cima. O telefone, o relógio e as máquinas de escrever das 4 primeiras propostas são objetos do museu João Fona, de Santarém; e todas as fotos, assim como a da cabeça de onça, foram tiradas pela Luciana.

Este é o Programa Cena Musical – Especial com o Mestre Cardoso, de Ourém, exibido na TV Cultura do Pará em 23 de maio de 2009. Acompanhando o Mestre, estamos eu (na flauta), o Allan Carvalho (no banjo), e o Batalhão da Estrela, regido pelo Rafael Barros. Apresentação de Isidoro Calixto.

Curta logo abaixo o programa completo, dividido em seis partes.

Parte 1 – Sereia

Parte 2 – Cadê a floresta?

Parte 3 – Pescaria

Parte 4 – As Origens de Ourém

Parte 5 – Não sou norte-americano / Da roseira nasce a rosa

Parte 6 – Estrela Dalva / Baiana

Olha que história bacana eu soube hoje! Quase 60 anos depois de ir embora da casa dos pais sem despedir-se, Mestre Cardoso entra em contato novamente com seus familiares, e o contato surgiu depois que ele foi reconhecido pela Solange, neta de sua irmã, num post aqui do blog. :) Segudo o meu amigo Arlindo Matos, de Ourém, “ela [a Solange] me disse que a avó falou de um problema que o Cardoso teve no ouvido quando criança. Ela identificou essa alteração na orelha dele através de fotos do teu blog (…)  Essas senhas foram lhe dando a certeza que era ele mesmo”.

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Cardoso aos 20 anos (imagem enviada pela Solange).

Cardoso aos 20 anos (imagem enviada pela Solange).

Quando ainda morava em Ourém, algumas vezes eu pedi pro Mestre me contar sua história, e principalmente, sobre a viagem que ele fez do Piauí pra cá (Clique aqui para ouvir um depoimento dele sobre isso). Ele falava também dos vários irmãos e da falta de informações sobre eles – sabia apenas que tinha familiares em Brasília, e quase nada mais. Pois no sábado passado, através do telefone do Arlindo, o Cardoso falou com sua irmã Joana e outros familiares que moram na Capital Federal.

Fiquei sabendo um pouco mais da história da família do Cardoso: Dos dez irmãos, seis já faleceram, sendo o Cardoso (com 76 anos) o único homem ainda vivo. Duas irmãs (Joana, de 96 anos; e Neide, 94) moram em Brasília; e outra irmã, Alice, a mais nova, na Argentina. E dando continuidade à brincadeira do boi na família, o Pedrinho, filho da Solange, tem lá em Brasília o seu boi também!

Pedrinho e o boi.

Pedrinho e o boi.

Há exatos 3 anos (em 9 de novembro de 2006), o Cardoso cantou pra mim uma música chamada “Eu recebi notícia de um irmão meu de Brasília”. Ele disse em uma entrevista no programa Sala de Reboco (que eu apresentava na Rádio Tembés de Ourém), que a música tratava duma carta que ele havia recebido de um irmão.

Eu recebi notícia de um irmão meu de Brasília

Eu recebi notícia / dum irmão meu de Brasília
Há muito tempo / viajo com sua família

Ele mandou uma carta / não mandou fotografia
Pra relembrar o passado / do tempo que nós se via

Aqui está o show que a Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz fez em homenagem ao Mestre Cardoso, nos dias 23 e 24 de outubro de 2008. A idéia original foi do maestro Mateus Araujo, regente da OSTP, que conheceu o trabalho do Cardoso através do disco Galo de Campina, produzido por mim em 2005. Inspirado nas músicas do amo de boi de Ourém, Mateus Araujo compôs a “Suíte Brasileira”, cujo último movimento tem como tema a melodia da toada “A Prisão de Saddam Hussein“. Vale lembrar que essa toada, por sua vez, é baseada na melodia da música “Vem Morena“, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. O próprio Cardoso reconhece a apropriação, e ele chama esse processo de “cobrir a música”.
A peça “Conto ao redor do fogo – de como Cardoso veio à pé de Parnaíba e de como Ele conseguiu encontrá-lo” é do compositor Valério Fiel da Costa, e foi inspirada na história do percurso feito à pé por Cardoso da sua terra natal até o Estado do Pará, atravessando os sertões e as matas ainda virgens da Amazônia. A peça utiliza sons gravados na parte final, que foram projetados do palco e do teto do teatro. Também na parte final, as luzes do teatro são apagadas lentamente, e os sons acontecem na escuridão.
“Mestre Cardoso Direto” é um pout-pourri de toadas do Cardoso, feito por mim especialmente para esta noite.
A show ainda contou com a participação do próprio Mestre Cardoso, que veio com alguns integrantes do seu boi Ouro Fino e músicos de Ourém: Tarugo, Ina, Caratinga e Guru. Eles cantaram músicas do brinquedo, e se despediram com a toada “Adeus, morena”, acompanhados pela OSTP, com arranjo de Mateus Araujo.

Ouça e curta as músicas do show. E para baixar o show completo em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip – 36 MB).

Logo abaixo está a partitura da minha peça e as instruções da do Valério. Quem tiver interesse na partitura do “Conto ao redor do fogo”, pode entrar em contato com o próprio compositor nesta página do myspace.

Mestre Cardoso Direto – (partitura em formato pdf)
Conto ao redor do fogo – (capa e instruções)

As imagens a seguir foram tiradas por Arlindo Matos, Diretor da Rádio Tembés de Ourém, e que nos deu grande apoio pra realização do espetáculo.

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Aplausos.

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Mateus Araújo, Mestre Cardoso e Arlindo Matos.

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Público.

Confira o programa do evento, com o repertório, os nomes dos integrantes da orquestra, e uma breve biografia da OSTP, do regente e do Cardoso. O desenho da capa foi feito por Luciana Leal.

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Capa do Programa do Concerto com Mestre Cardoso

Programa2

Programa – Sobre os participantes

Programa3

Programa – Repertório

Aqui estão as toadas que Mestre Cardoso preparou este ano para as brincadeiras do seu boi Ouro Fino, de Ourém (PA). Nessas gravações, Cardoso cantou e tocou o tambor. Em algumas faixas, eu gravei a minha voz para o coro, e usei samples de instrumentos de percussão retirados do disco “Galo de campina” (2005).

Gravei essas músicas no mês de Julho, no período em que estive com Cardoso para defender com ele a música “Não sou Norte-americano” no XXV FMO (veja o vídeo da apresentação no post anterior). A última faixa é, por sinal, o áudio dessa apresentação.
Ouça e curta o som do Mestre. E se quiser baixar todas as faixas em um único arquivo zipado, clique aqui.

No dia 26 de julho, Mestre Cardoso esteve na final do XXV Festival da Canção Ouremense, com a toada “Não sou norte-americano”, composta originalmente para ser cantada nas brincadeiras do boi Ouro Fino.

Ganhou o primeiro lugar na categoria “Músicas de Ourém”. Ele foi acompanhado por Allan Carvalho (banjo e voz), Elaine Borges e “Ina” (Coro), Fábio Cavalcante (flauta e arranjo), e nas percussões, por André “Mixico”, Bruno, Natalino “Caratinga” e Rafael Barros.

O video disponível abaixo (hospedado no YouTube) foi filmado por Arlindo Matos, que, além de ter incentivado Mestre Cardoso na inscrição, deu o título da música.

Confira a letra desta toada de Mestre Cardoso:

Não Sou Norte-Americano
(Mestre Cardoso)

Minha mãe, mamãe eu vou
Amanhã para o Iraque
Meu filho tenha cuidado
Não vá passear de táxi
Que os jornais de Bagdá
Anunciam os ataques

Minha mãe, quero benção
Me diga adeus, que eu já vou
Meu filho tenha cuidado
Siga com nosso Senhor
Mataram Saddam Hussein
E a guerra continuou

Minha mãe quero benção
Quero ouvir as vozes suas
Meu filho tenha cuidado
Não vacile pelas ruas
Mataram Saddam Hussein
E a guerra continua

Minha mãe, quero benção
Não sei se eu volto este ano
Meu filho tenha cuidado
Pra depois não ter engano
Comparar um brasileiro
Com um soldado americano

Eu cantei essa toada
Aqui para o pessoal
Porque eu tenho memória
E tenho meu ideal
Compositei em toada
Conforme passa o jornal

A coleção Bois de Ourém foi lançada em julho de 2006, em Belém, durante o tradicional Arrastão do Pavulagem. Na época eu apresentava aos sábados o programa “Sala de reboco”, na rádio Tembés, de Ourém, onde os amos dos bois haviam participado diversas vezes, e gravado algumas centenas de músicas. Empolgado com a beleza daquelas toadas, que são criadas aos montes por lá, fiz uma seleção de seis músicas de cada um dos quatro grupos do lugar, para produzir os dois discos. O “Bois de Ourém Vol. 1” é com os bois “Flor-do-Campo” (de Mestre Julião – da comunidade do Mocambo) e “Ouro Fino” (de Mestre Cardoso). O Volume 2 traz os bois “Pai-do-Campo” (Mestre Faustino) e “Geringonça” (Mestre Tuíte).

Julião em Belém.

Julião em Belém.

Cardoso gravando.

Cardoso gravando.

O encarte do disco “Bois de Ourém Vol.1” vinha com uma breve história dos bois, dos amos, e a ficha técnica que reproduzo abaixo:


Flor-do-Campo
O mais antigo boi de Ourém em atividade é o do Mocambo – localidade quilombola próxima à sede do município. O fundador da brincadeira foi Sebastião dos Santos “Bofiá”, falecido em 1961. Em 64, Julião dos Santos, filho do Bofiá, assumiu o brinquedo e até hoje mantém a tradição. O boi foi vencedor de diversos concursos de Boi-Bumbá realizados na região. O grupo comandado por Julião teve várias denominações, como “Ás de ouro”, “Flor da mocidade”, “Flor da fazenda”, “Mimo dourado” e “Mimo do gado”. O nome “Flor-do-Campo” está registrado há quatro anos.

Ouro Fino
O Ouro Fino surgiu em Ourém, no bairro do Porão, no ano de 1993, junto com a chegada à cidade de seu comandante José Ribamar Cardoso. Nascido na Parnaíba, Piauí, Mestre Cardoso foi amo de boi pela primeira vez, ainda na sua terra natal, aos 14 anos, com o “Dominante”. São quase seis décadas colocando o boi pra brincar. Em 2005, Mestre Cardoso gravou seu primeiro disco – “Galo de campina”.

Músicos do Flor-do-Campo
Tambores: Luís Carlos Rodrigues “Rato”, Zé Ferreira, Zé Francisco, João Batista “Bulica” e Simião.
Pandeiro e voz: Julião dos Santos.
Maracás: Zé Francisco, José Walter dos Santos “Waltinho” e Luís Carlos Rodrigues “Rato”
Triângulo: Fabinho
Onça: Walter dos Santos “Waltinho”
Coro: Zé Francisco, Luìs Carlos Rodrigues “Rato”, Zé Ferreira e João Batista “Bulica”.

Músicos do Ouro Fino
Elielson “Dodô” Medeiros Conceição: Atabaque, Pandeiro, triângulo e Coro.
Elailson “”tarugo” Medeiros Conceição: Tambor e Coro.
Evanilson “Bran” Medeiros Conceição: Tambor e Coro.
Edenilce “Ina” Medeiros Conceição: Coro.
Elza Nira Medeiros Conceição: Coro.
José Cardoso: Voz e onça.

Produção, gravação e texto: Fábio Cavalcante.

Você ouve as músicas do disco “Bois de Ourém Vol. 1” no tocador abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip – 44,1 MB). E para baixar as letras das toadas, aqui.

Toadas de Mestre Cardoso (amo do boi Ouro Fino, de Ourém) e Mestre Faustino (do boi Pai-do-Campo) estão no repertório do cordão do Peixe-Boi deste ano. Ambos falam da natureza. A “Preservação da natureza”, do Pai do Campo, já vem sendo cantada pelo batalhão do Pavulagem desde junho do ano passado (leia aqui). E “Cadê a floresta?” foi feita por Cardoso especialmente pro arrastão do próximo domingo.


Cardoso e Faustino ao vivo

Cadê a floresta?
(Mestre Cardoso)

Mamãe, cadê a floresta?
Nossas vertentes, beleza
Os peixes da piracema
Não tem mais essa riqueza

Meu filho, o rio Guamá
Criou pai, filho e bisnetos
Agora só tem o resto
Do verde da Natureza

Mamãe, cadê a floresta?
O que é que o pássaro come
Meu filho, é assim mesmo
Do passado fico o nome

Meu filho, o rio Guamá
Desmataram as cabeceiras
Não tem mais as cachoeiras
E quem faz isso é o homem

Este vídeo foi feito durante a apresentação de Cardoso e Faustino na I FEMAE (Feira de Música e Arte Estudantil), promovido pelo Colégio Pe. Ângelo Moretti, dia 29/12/2007, em Ourém. Os mestres são acompanhados por: Allan Carvalho (violão), Edgar Júnior (percussão), Fábio Cavalcante (flauta), Nazareno Silva (percussão) e Rubens Stanislaw (contrabaixo).
O ensaio com Cardoso que aparece no começo foi feito no sítio de Arlindo Matos.

Aproveitando o tema das toadas lançadas pelos mestres, aqui estão imagens de trechos do Guamá onde fazendeiros mandaram derrubar toda a mata ciliar.

Desmatamento nas margens do Guamá.

Desmatamento nas margens do Guamá.

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Retirada das matas ciliares em Ourém.

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Assoreamento no Guamá.

E repare nas imagens a seguir:
1) Trecho do rio com uma margem preservada e outra destruída;
2) Assoreamento – as margens, sem as árvores para servir de apoio, vão caindo no rio e formando ilhas, secando e tornando a navegação impraticável;
3) Assoreamento em frente à cidade de Ourém – a linha preta traçada na foto marca o local onde ficava a margem original. Hoje, no período seco, é possível, na frente da cidade, atravessar o Guamá à pé!

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Margens diferentes.

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Rio secando.

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Assoreamento em frente à Ourém.

Estudos feitos no município apontam que 47% da mata ciliar do rio já foi perdida, reduzindo em até 37% as espécies de peixes nas áreas mais agredidas. A situação continua, lamentavelmente, crescendo sem nenhum controle.

cara O Galo de Campina, do Mestre Cardoso, foi produzido, arranjado e gravado por mim em outubro de 2005, na cidade de Ourém, onde eu morava na época. Ele mostra o talento e a versatilidade do amo do Boi “Ouro Fino”, que aos 71 anos, mandava quente nos xotes, marchas, carimbós, sambas e toadas do seu primeiro disco. Lançado em Ourém (29/10/2005) e em Belém (04/11/2005), dele foram feitas 80 cópias, totalmente caseiras, com capas e encartes de papel reciclado, e cd’s gravados no computador.

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Escrevi essa breve biografia do Cardoso para o encarte.

“José Ribamar Cardoso nasceu na Parnaíba, Piauí, em 4 de janeiro de 1933, filho de João Cândido Cardoso e Maria Francisca Cardoso. Aos dez anos começou a brincar em bois tradicionais da região, entre eles os de Martiliano, Chico Camilo, Antônio Leal e José Calebre. Com o parceiro e amigo de escola Geraldo Magela do Carmo, montou aos 14 anos o Boi Dominante. O ano era 1947.
Com 20 anos vai para Coroatá, no Maranhão, onde conhece sua esposa Raimunda Lima da Silva. Com ela teve 14 filhos, dos quais seis sobreviveram. Em 1954, com 21 anos, muda-se para Carutapera. Logo depois chega no Pará, morando em Viseu, Bragança e Capitão Poço, até vir para Ourém em 1993, onde está até hoje. E até hoje, como faz há quase seis décadas, Cardoso coloca o boi para brincar todos os anos.
Trabalhou como agricultor e vaqueiro nas diversas regiões onde morou. Atualmente é amo do boi Ouro Fino. Das faixas deste CD, ‘Eu mandei fazer uma rosa’, ‘O Ataque de Nova York’, ‘A prisão de Saddam Hussein’, ‘Mandei fazer uma trincheira ontem ‘ e ‘Adeus morena’, são toadas cantadas pelos integrantes do seu brinquedo.”

Os músicos que participaram das gravações são: Aristides Borges (cavaquinho); João “Cego” da Silva Matos (sanfona e coro); Raimundo “Tuíca” da Silva Matos (barrica, pandeiro e coro); Fábio Cavalcante (flauta e coro); Lila Bemerguy (coro) e Mestre Cardoso (maracá, pandeiro, onça e voz).

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Aristides

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João Cego.

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Tuíca.

Você pode ouvir as músicas do disco Galo de Campina a partir dos links abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip – 72,3 MB).

Sobre o lançamento do Galo de Campina, recolhi esses recortes de jornais.