Categoria: Folclore

  • O Gambá é celebrado na vila de Pinhel (município de Aveiro/PA) nos últimos dias do mês de junho, em homenagem a São Benedito. O termo “Gambá” significa tanto a dança, quanto o ritmo, a festa e o principal instrumento usado na festividade – o tambor de tronco oco. Além dos tambores, as toadas do Gambá de Aveiro são acompanhadas por tocadores de caixa, reco-reco e ganzá.

    Os 25 gambás desta postagem foram gravados em 29 de julho de 2007, no projeto do selo “Matrizes Ancestrais”, do Instituto de Artes do Pará (IAP), coordenado por Walter Freitas e Walter Figueredo, e que buscava mapear e registrar as festividades tradicionais paraenses. Além das folias, na última faixa dessa coleção você ouve uma ladainha com os moradores de Pinhel, que também tive a oportunidade de gravar. A ladainha, é importante dizer, também é parte integrante desta festividade. Os músicos são: Teodoro da Silva (tambor), Edgar Carvalho (tambor), Reimar Carvalho (tambor), Belinho Deodato (reco-reco), Tiago Deodato (mestre cantor e caixa), Altino dos Santos (mestre cantor e caixa) e Maciel Xavier Cardoso (mestre cantor e caixa).

    Essas gravações foram lançadas em CD pelo IAP, em abril de 2008.

    Capa do álbum Gambá de Aveiro, lançado pelo Instituto de Artes do Pará
    Capa do álbum Gamba de Aveiro (IAP, 2008)

    Para baixar as toadas (com a ladainha) em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip). E para saber mais sobre o Gambá, visite também esta página, na Rede Mocoronga.

  • É o Filho do Boto!

    Está no ar a mais nova produção da Só H: “É o Filho do Boto!”. Dessa vez com um novo “parceiro-cavalcante”: o Mauri. Ele entrou com sua voz na narração, e ajudou a Luciana a produzir e manipular os cenários e personagens. Confira aqui a nossa versão pra lenda do Boto:

    Dedicamos nosso filmeco ao Frederico.

    Quatro cenas da filmagem da animação É o Filho do Boto!
    Cenas da filmagem

    E este é o texto narrado (meu e da Luciana):

    “Era uma vez no rio Pereré
    Um bicho travesso de pele lisinha
    Que tinha nascido num igarapé
    Mas ficava de pé atrás de mocinha

    Em noite de festa não ficava à toa
    Atento, esse bicho espiava escondido
    Depois entrava na festa, na boa
    E já se juntava à de melhor vestido

    Atento, o povo vigiava a mocinha
    Mas o bicho, esperto, era liso e fugia
    Levava a moça com ele, sozinha
    E a moça, de virgem, virava vadia

    Depois de namorada, ela adormecia
    E no meio do mato, o bicho sumia
    A moça acordava sozinha e assustada
    Voltava pra casa e os pais já diziam:
    ‘Pelo que fizeste, não serás perdoada.’

    Dentro do bucho crescia um garoto
    Que todos diziam: ‘é o filho do Boto!’ “

  • Movimento de Roda de Curimbó

    O “Movimento de Roda de Curimbó” é um grupo de pau-e-corda da vila de Alter-do-chão (Santarém, PA), formado pelos músicos Chico Malta, Helder Catraca, Jackson Rêgo, “Seu” Camargo, Hermes e Osmarino Freitas. As 10 músicas deste disco foram gravadas ao longo do ano de 2011 e lançadas em janeiro de 2012. Contei com as participações especiais de Dona Onete (cantando na faixa 1, e autora das faixas 1 e 11), Cristina Caetano (cantando na faixa 11), Pio Lobato (banjo na faixa 1), dos saxofonistas Junior Castro (faixas 4, 6 e 10) e Serginho (faixas 1 e 2), do trombonista Eri (faixa 3), e do baixista Dórisson (faixa 3). Os arranjos, gravação e mixagem são meus. Também toquei a flauta doce nas faixas 5 e 9, e uma flauta transversal de bambu na faixa 8.

    Para baixar o disco completo, clique aqui.

    E para quem se interessar, quiser tocar ou acompanhar, o caderno de partitura com os arranjos dos sopros está logo abaixo.

    Caderno de Arranjos das Músicas do disco "Movimento de Roda de Curimbó" (2012, Santarém, Sergipe). Manuscrito com melodias cifradas.

    O álbum de fotos a seguir mostra as sessões de gravação, todas na casa do Jackson (“Cabana do Tapajós”), percussionista e integrante do grupo.

    A ficha técnica completa do disco é a seguinte:

    1. Chamego de boto (Dona Onete). Chico Malta (violão e voz), Pio Lobato (banjo), Sérgio (sax), Helder Catraca (tambores, maracas e pauzinhos), Jackson (coquinho). Coro por Chico Malta, Osmarino, Hermes, Helder e Jackson.
    2. Venha pro movimento (Chico Malta). Chico Malta (violão e voz), Sérgio (sax), Helder Catraca (tambores e pauzinhos), Jackson (maracas). Coro por Osmarino, Hermes, Helder e Jackson
    3. Se eu soubesse que tu vinhas (Chico Malta e Mestre Servito). Chico Malta (violão e voz), Eri (trombone), Dórisson (contrabaixo), Helder Catraca (tambores, conchas e chaves), Jackson (maracas).
    4. Curimbó (Chico Malta). Chico Malta (violão e voz), Júnior Castro (sax), Helder Catraca: (tambores e pauzinhos), Jackson (coquinho), Hermes (maracas). Coro por Hermes, Jackson, Helder e Osmarino.
    5. Índio Cumaruara (Osmarino Freitas). Osmarino (voz), Chico Malta (violão), Fábio Cavalcante (flauta doce e samples de sax), Helder Catraca (tambores), Jackson (maracas e coquinho).
    6. Marambiré (Luciano Lopes dos Santos / Dona Teté / Dori). Hermes (voz e maracas), Chico Malta (voz e violão), Junior Castro (sax), Helder Catraca (tambores e coquinho). Coro por Jackson e Helder.
    7. Meu boi (Chico Malta). Chico Malta (violão e voz), Fábio Cavalcante (sample de sax), Helder Catraca (tambor, bilha e pauzinhos), Jackson (pandeiro, maracas).
    8. Carimbó na roça (Osmarino Freitas). Osmarino (voz), Fábio Cavalcante (flauta transversal de bambu), Helder Catraca (tambores, maracas e pauzinhos). Coro por Hermes e Helder.
    9. Dundun / Saracura (D.P. / “Seu” Camargo). “Seu” Camargo (voz), Chico Malta (violão), Fábio Cavalcante (flauta doce), Helder Catraca (tambores), Jackson (maracas e coquinho).
    10. Paixão cabocla (Dona Onete). Cristina Caetano (voz), Chico Malta (voz e violão), Junior Castro (sax), Helder Catraca (tambores e pauzinhos), Jackson (maracas e coquinho).

    ​Todos os arranjos, gravação e mixagem por Fábio Cavalcante. 

    Para conhecer mais sobre mestre Chico Malta, visite a página dele no sítio FGC Produções.

  • Comissão das Colônias do Glorioso São Benedito de Bragança

    Os registros desta postagem foram feitos com a “Comissão das Colônias do Glorioso São Benedito de Bragança”, na cidade de Ourém, em 2004 e 2006. As comissões (elas são três: a das colônias, a das praias, e a dos campos) percorrem diversas cidades do nordeste paraense, esmolando de maio a dezembro, todos os anos. Nas casas onde são chamadas, recebem hospedagem e alimentação (geralmente por um dia), um lugar para montar o altar do Santo Preto, além de oferendas diversas (de dinheiro a animais) que são enviadas para a igreja de Bragança.

    As caminhadas e estadias das Comissões são cheias de cantorias, acompanhadas por tambores, reco-reco, onça e pandeiros. Canta-se todos os dias, do levantar até pra lá das 9 da noite. O repertório é esse:

    1. Alvorada, às cinco da manhã,
    2. Agradecimento de mesa, após o almoço,
    3. Ave maria, às 6 da tarde,
    4. Bendito, depois do jantar e
    5. Ladainha, à noite. Além das folias de chegada e de despedida, ao entrar e sair de uma casa.

    As gravações a seguir aconteceram em diferentes residências de Ourém, entre os dias 29 de julho e 2 de agosto de 2004. Neste ano, a comissão era formada por: Floriano Gonçalves (encarregado), Oswaldo (2° encarregado), Nazareno, Evaldo, Cearencinho, Giovani (rezadores), Celso, Waldecir (tamboleiros) e Mariano (tamboleiro e contralto). A faixa 5 é uma gravação completa da Ladainha, que as comissões rezam sem falta todas as noites, reunindo o povo, misturando português e latim, improvisando versos, e contraponteando com até 3 vozes (chamadas de contralto, “voz do rezador” (a do meio), e baixo).

    Se quiser baixar todas as músicas acima em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip).

    Ao trocar de hospedagem, as comissões abrem passagem nas ruas com dois porta-bandeiras movimentando estandartes. Logo atrás vem o santo (geralmente nos braços de alguém da casa de onde acabaram de sair), protegido por um guarda-chuva levado por um membro da comissão. O batuque vem por último, e apesar de não serem numerosos, ele é muito forte. Os instrumentos são bem construídos, pintados com as cores da Marujada (vermelho, azul e branco), e audíveis de muito longe.

    O vídeo a seguir foi feito em 2006, e mostra uma folia de chegada e uma folia de despedida, também em Ourém.

    Em 2006, os membros da comissão eram: Zezinho (encarregado), Floriano Gonçalves, Joaquim Silva, Manoel Corrêa de Lima, Raimundo, Luís Maria e Rafael. As gravações a seguir foram feitas com este grupo, entre 14 e 16 agosto.

    Para baixar as músicas acima, clique aqui (arquivo zip).

    Membros da Comissão da Marujada de Bragança, em pose para foto
    Em pé: Floriano Gonçalves, Luís Maria, Zezinho (encarregado), Joaquim Silva e Manoel Corrêa de Lima. Abaixados: Rafael, ? e Raimundo.

    Outras imagens da passagem da comissão de São Benedito por Ourém, em 2006, podem ser vistas no álbum a seguir (clique na imagem).

    São Benedito de Bragança em Ourém

    Esmolando desde o mês de maio, as comissões dos campos e das colônias retornam à sede de Bragança em novembro, e no dia 8 de dezembro chega, tradicionalmente, a das praias. Em Bragança elas vão às casas dos devotos do município, até chegar o dia em que as imagens devem ser levadas e entregues à igreja.

    As festividades da Marujada começam dia 18, às 5 da manhã, com a alvorada. Depois vêm ensaios, festejos, arrastões, cavalhada… uma festa maravilhosa, ao ritmo de retumbão, xote, chorados, valsas. E para ouvir algumas músicas que são tocadas no barracão da Marujada, visite esta outra postagem.

  • Estou terminando mais um disco, o “Do meio para o século XX para o XXI”, com músicas de autoria do Mestre Cardoso. Esta é a capa que a Luciana Leal está finalizando pra ele. A foto é de uma cabeça de onça – uma peça arqueológica em cerâmica Tapajós, da coleção do Laboratório de Arqueologia Curt Nimuendajú, de Santarém.

    Capa do álbum Do meio do Século XX para o XXI, de Fábio Cavalcante
    Arte da capa de Luciana Leal

    E aí embaixo estão outras propostas que a Lu fez antes de nos decidirmos por esta aí de cima. O telefone, o relógio e as máquinas de escrever das 4 primeiras propostas são objetos do museu João Fona, de Santarém; e todas as fotos, assim como a da cabeça de onça, foram tiradas pela Luciana.