“Primeiro de abril Dia da Independência do Brasil Taí a esquadra de Cabral Taí como um cascudo não faz mal
Quem comeu Sardinha fui eu Quem ergueu Castelo fui eu Até no Conde d’Eu também tô eu Taí, nem és grande Aqui se gorjeia como lá
Domingo tem missa no bar Segunda, trabalho do lar Na quinta eu vou visitar Fonseca Perna fina e bunda seca
Primeiro de abril Dia da Independência do Brasil Taí a esquadra de Cabral Taí como um cascudo não faz mal”
A publicação no YouTube traz a letra cifrada.
E o arranjo completo está disponível no songbook abaixo, na Amazon. Com grade, partes cavas e letras cifradas.
A Independência do Brasil - Songbook (2018, Aracaju, Sergipe). Para voz, sintetizador, violão, piano e contrabaixo. Com grade completa, partes cavas e letras & cifras.
“Homem da cidade sabe o que fazer, Toma o que lhe cabe – sapo pra engolir. Anoiteceu, volta pra casa, come e vai dormir. Amanheceu, sai de casa; quase um zumbi.
Homem de verdade sabe o seu lugar, Centro do universo, dentro do currá. Anoiteceu na via láctea, não fez o que quis. Amanheceu solto no pasto – o seu país.
Homem de idade, sábio fariseu, Imagem de deus, ai, nenhum filho é teu. Anoiteceu vendo fantasmas que não tem nada ver. Amanheceu numa carcaça. Sabe fazer“
O songbook com o arranjo completo está disponível no site da Amazon.
Homem de verdade - Songbook (2019, Aracaju, Sergipe). Para voz, violão, piano, e contrabaixo. Com grade completa, partes cavas e letras cifradas.
E no YouTube, a publicação de “Homem de verdade” traz a letra cifrada.
A polca “Flor amorosa” foi composta por Joaquim Callado no seu último ano de vida, 1880, quando faleceu prematuramente, aos 31. O compositor e flautista já era reconhecido como a figura mais importante da cena do Choro que surgia na época. Flor amorosa foi mesmo sua última música, tendo sido publicada em partitura logo após a sua morte, com versos de Catulo da Paixão Cearense. A música se tornou um clássico do choro, e, provavelmente, a sua mais famosa composição. Neste mês de maio, gravei a música de Callado (instrumental, sem a letra de Catulo) numa versão bastante eletrônica. Ouça:
A primeira gravação de Flor amorosa é de 1902, feita na Casa Edison pelos Irmãos Eymard, na alvorada do registro sonoro no Brasil, visto que a primeira gravação no país havia sido feita no mesmo ano. Ouça aí essa delícia.
Esta é a Fuga nº 2 em dó menor, do primeiro livro do Cravo Bem Temperado, composto por Johann Sebastian Bach em 1722. As três vozes da peça, escrita para cravo, são cantadas aqui com sons de arrotos meus.
A produção desta Fuga II (gravação, onde contei com a ajuda de uma latinha de coca-cola; edição de som e mixagem no Reaper) está registrada neste pequeno vídeo logo abaixo.
Em 2000, gravei uma primeira versão dessa ideia (a Fuga II “arrotada”), especialmente para uma apresentação do duo Artesanato Furioso. É a versão a seguir.
Fuga 2 em cópia manuscrita do compositor, feita no ano da composição (1722). O fac-símile completo do livro está disponível no International Music Score Library Project.
“FGC, Vol. 666” é meu 9º álbum. É uma homenagem ao diabo (o anjo rebelde, pai do rock e bode lascivo) em seis canções e três instrumentais, gravados em 2018, todos com instrumentos virtuais.
“Urubu” (a faixa 7) é a música mais antiga. Composta em 2006, em parceira com Allan P. Carvalho, ela foi planejada para o álbum Doristi, mas acabou não entrando no disco. Entrou agora, neste FGC Vol. 666. “Hino ao sol” é um tema tradicional do povo indígena peruano. As demais músicas são todas de minha autoria, assim como os arranjos, e a diabólica arte da capa é de Luciana Leal.
“Urubu” foi tocada pela primeira vez em 15 de fevereiro de 2007, na Pauta Maldita do Teatro Waldemar Henrique, em Belém, num show de divulgação do Doristi. É o vídeo abaixo, onde estou orgulhosamente na companhia dos meus caros Allan Carvalho (banjo e voz); Renato Torres (guitarra e Voz); Edgar Júnior (percussão) e Rafael Barros (percussão).
E com o “Hino ao Sol” eu já havia trabalhado duas vezes antes. Uma foi na apresentação do meu show “Lanoi Cid Art”, em agosto de 2017 no Sesc de Aracaju, e outra num clipe caseiríssimo que fiz pro YouTube, em 2014. Usei, nas duas vezes, o mesmo arranjo apresentado neste novo álbum.
A título de curiosidade, eis um rascunhão no violão que fiz de Vai-quem-quer (faixa 1 deste álbum).
Sistema Doristi no FGC vol. 666
Quero agora falar de um assunto um tantão teórico musical, que é mostrar alguns exemplos práticos do meu sistema Doristi, que criei em 98 (no meu TCC da graduação em música), usei publicamente no meu álbum Doristi, de 2006, e que venho usando desde então em muitas das minhas composições. O primeiro exemplo são as partituras que mostram o processo de criação do arranjo de Anticristo, a faixa 8 deste FGC Vol. 666. O primeiro trecho instrumental de “Anticristo” traz uma melodia em tom maior e sua versão doristi, perfeitamente espelhada.
Ouça abaixo as duas versões, uma após a outra.
Depois criei uma segunda voz, no baixo. Veja a partitura abaixo, ouça o arranjo mais abaixo, se quiser, e, se quiser também, ouça depois a versão final. 🙂
Depois, ainda em “Anticristo”, o instrumental no piano que usei no meio da faixa veio de um choro que criei, e que chamei num primeiro momento de “O Anticristinho” (veja no manuscrito abaixo). E esse choro, por sinal, foi, por sua vez, criado a partir do arranjo que fiz pra música “Índio Civilizado“, que gravei no disco do compositor Juvenal Imbiriba – o choro é a versão Doristi deste arranjo. Ele ocorre em 02:47 de “Anticristo“.
Pra ouvir a partitura acima, use o tocador abaixo.
O Solo final de “Inferno” é outro exemplo do uso do sistema Doristi neste álbum.
A melodia deste solo é uma variação, em doristi, do coral “Jesus, alegria dos homens“. Como a peça de Bach está em 3/4 (e a minha em 4/4), fiz algumas adaptações na melodia. Este processo está na folha abaixo.
Ouça aí a versão final.
Em Vai-quem-quer, os dois solos desta faixa 1 vieram da inversão, seguindo o sistema doristi, de duas melodias em tom maior; e mais uma vez o resultado me deixou bastante satisfeito – me parecem simples e diferentes.
Aí embaixo está a transcrição das melodias (as originais e as invertidas). A segunda melodia que inverti, por sinal, não é minha; é da toada Avoa Avião, do Mestre Cardoso, que gravei no meu último disco. Ouça a versão do Cardoso aqui 👇.
E, de novo, para ouvir as melodias e cifras acima, use o tocador abaixo.
Por fim, o solo de Urubu (faixa 7), uma canção minha com o Allan Carvalho, também está na escala doristi, e a partitura a seguir mostra três etapas dessa composição – a melodia original, em ré; a conversão pra doristi, em si; e depois a versão final, que é a mesma melodia convertida, mas com umas alteraçõezinhas que preferi fazer.
No tocador abaixo dá pra ouvir só o recorte deste trecho na “versão final”.