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Postagens sobre a música e a cultura da cidade de Ourém, no Pará.

  • Comissão das Colônias do Glorioso São Benedito de Bragança

    Os registros desta postagem foram feitos com a “Comissão das Colônias do Glorioso São Benedito de Bragança”, na cidade de Ourém, em 2004 e 2006. As comissões (elas são três: a das colônias, a das praias, e a dos campos) percorrem diversas cidades do nordeste paraense, esmolando de maio a dezembro, todos os anos. Nas casas onde são chamadas, recebem hospedagem e alimentação (geralmente por um dia), um lugar para montar o altar do Santo Preto, além de oferendas diversas (de dinheiro a animais) que são enviadas para a igreja de Bragança.

    As caminhadas e estadias das Comissões são cheias de cantorias, acompanhadas por tambores, reco-reco, onça e pandeiros. Canta-se todos os dias, do levantar até pra lá das 9 da noite. O repertório é esse:

    1. Alvorada, às cinco da manhã,
    2. Agradecimento de mesa, após o almoço,
    3. Ave maria, às 6 da tarde,
    4. Bendito, depois do jantar e
    5. Ladainha, à noite. Além das folias de chegada e de despedida, ao entrar e sair de uma casa.

    As gravações a seguir aconteceram em diferentes residências de Ourém, entre os dias 29 de julho e 2 de agosto de 2004. Neste ano, a comissão era formada por: Floriano Gonçalves (encarregado), Oswaldo (2° encarregado), Nazareno, Evaldo, Cearencinho, Giovani (rezadores), Celso, Waldecir (tamboleiros) e Mariano (tamboleiro e contralto). A faixa 5 é uma gravação completa da Ladainha, que as comissões rezam sem falta todas as noites, reunindo o povo, misturando português e latim, improvisando versos, e contraponteando com até 3 vozes (chamadas de contralto, “voz do rezador” (a do meio), e baixo).

    Se quiser baixar todas as músicas acima em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip).

    Ao trocar de hospedagem, as comissões abrem passagem nas ruas com dois porta-bandeiras movimentando estandartes. Logo atrás vem o santo (geralmente nos braços de alguém da casa de onde acabaram de sair), protegido por um guarda-chuva levado por um membro da comissão. O batuque vem por último, e apesar de não serem numerosos, ele é muito forte. Os instrumentos são bem construídos, pintados com as cores da Marujada (vermelho, azul e branco), e audíveis de muito longe.

    O vídeo a seguir foi feito em 2006, e mostra uma folia de chegada e uma folia de despedida, também em Ourém.

    Em 2006, os membros da comissão eram: Zezinho (encarregado), Floriano Gonçalves, Joaquim Silva, Manoel Corrêa de Lima, Raimundo, Luís Maria e Rafael. As gravações a seguir foram feitas com este grupo, entre 14 e 16 agosto.

    Para baixar as músicas acima, clique aqui (arquivo zip).

    Membros da Comissão da Marujada de Bragança, em pose para foto
    Em pé: Floriano Gonçalves, Luís Maria, Zezinho (encarregado), Joaquim Silva e Manoel Corrêa de Lima. Abaixados: Rafael, ? e Raimundo.

    Outras imagens da passagem da comissão de São Benedito por Ourém, em 2006, podem ser vistas no álbum a seguir (clique na imagem).

    São Benedito de Bragança em Ourém

    Esmolando desde o mês de maio, as comissões dos campos e das colônias retornam à sede de Bragança em novembro, e no dia 8 de dezembro chega, tradicionalmente, a das praias. Em Bragança elas vão às casas dos devotos do município, até chegar o dia em que as imagens devem ser levadas e entregues à igreja.

    As festividades da Marujada começam dia 18, às 5 da manhã, com a alvorada. Depois vêm ensaios, festejos, arrastões, cavalhada… uma festa maravilhosa, ao ritmo de retumbão, xote, chorados, valsas. E para ouvir algumas músicas que são tocadas no barracão da Marujada, visite esta outra postagem.

  • Este é o Programa Cena Musical – Especial com o Mestre Cardoso, de Ourém, exibido na TV Cultura do Pará em 23 de maio de 2009. Acompanhando o Mestre, estamos eu (na flauta), o Allan Carvalho (no banjo), e o Batalhão da Estrela, regido pelo Rafael Barros. Apresentação de Isidoro Calixto.

    Curta logo abaixo o programa completo, dividido em seis partes.

  • Olha que história bacana eu soube hoje! Quase 60 anos depois de ir embora da casa dos pais sem despedir-se, Mestre Cardoso entra em contato novamente com seus familiares, e o contato surgiu depois que ele foi reconhecido pela Solange, neta de sua irmã, num post aqui do blog. 

     Segundo o meu amigo Arlindo Matos, de Ourém, “ela [a Solange] me disse que a avó falou de um problema que o Cardoso teve no ouvido quando criança. Ela identificou essa alteração na orelha dele através de fotos do teu blog (…)  Essas senhas foram lhe dando a certeza que era ele mesmo”.

    Mestre Cardoso,de  Ourém, aos 20 anos
    Cardoso aos 20 anos (imagem enviada pela Solange).

    Quando ainda morava em Ourém, algumas vezes eu pedi pro Mestre me contar sua história, e principalmente, sobre a viagem que ele fez do Piauí pra cá (Clique aqui para ouvir um depoimento dele sobre isso). Ele falava também dos vários irmãos e da falta de informações sobre eles – sabia apenas que tinha familiares em Brasília, e quase nada mais. Pois no sábado passado, através do telefone do Arlindo, o Cardoso falou com sua irmã Joana e outros familiares que moram na Capital Federal.

    Fiquei sabendo um pouco mais da história da família do Cardoso: Dos dez irmãos, seis já faleceram, sendo o Cardoso (com 76 anos) o único homem ainda vivo. Duas irmãs (Joana, de 96 anos; e Neide, 94) moram em Brasília; e outra irmã, Alice, a mais nova, na Argentina. E dando continuidade à brincadeira do boi na família, o Pedrinho, filho da Solange, tem lá em Brasília o seu boi também!

    Criança com um boi-bumbá ao lado
    Pedrinho e o boi.

    Há exatos 3 anos (em 9 de novembro de 2006), o Cardoso cantou pra mim uma música chamada “Eu recebi notícia de um irmão meu de Brasília”. Ele disse em uma entrevista no programa Sala de Reboco (que eu apresentava na Rádio Tembés de Ourém), que a música tratava duma carta que ele havia recebido de um irmão.

    Eu recebi notícia de um irmão meu de Brasília

    Eu recebi notícia / dum irmão meu de Brasília
    Há muito tempo / viajo com sua família

    Ele mandou uma carta / não mandou fotografia
    Pra relembrar o passado / do tempo que nós se via

  • Aqui está o show que a Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz fez em homenagem ao Mestre Cardoso, nos dias 23 e 24 de outubro de 2008. A idéia original foi do maestro Mateus Araujo, regente da OSTP, que conheceu o trabalho do Cardoso através do disco Galo de Campina, produzido por mim em 2005. Inspirado nas músicas do amo de boi de Ourém, Mateus Araujo compôs a “Suíte Brasileira”, cujo último movimento tem como tema a melodia da toada “A Prisão de Saddam Hussein”. Vale lembrar que essa toada, por sua vez, é baseada na melodia da música “Vem Morena“, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. O próprio Cardoso reconhece a apropriação, e ele chama esse processo de “cobrir a música”.

    A peça “Conto ao redor do fogo – de como Cardoso veio à pé de Parnaíba e de como Ele conseguiu encontrá-lo” é do compositor Valério Fiel da Costa, e foi inspirada na história do percurso feito à pé por Cardoso da sua terra natal até o Estado do Pará, atravessando os sertões e as matas ainda virgens da Amazônia. A peça utiliza sons gravados na parte final, que foram projetados do palco e do teto do teatro. Também na parte final, as luzes do teatro são apagadas lentamente, e os sons acontecem na escuridão.

    “Mestre Cardoso Direto” é um pout-pourri de toadas do Cardoso, feito por mim especialmente para esta noite.

    A show ainda contou com a participação do próprio Mestre Cardoso, que veio com alguns integrantes do seu boi Ouro Fino e músicos de Ourém: Tarugo, Ina, Caratinga e Guru. Eles cantaram músicas do brinquedo, e se despediram com a toada “Adeus, morena”, acompanhados pela OSTP, com arranjo de Mateus Araujo.

    Ouça e curta as músicas do show. E para baixar o show completo em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip).

    Logo abaixo está a partitura da minha peça e as instruções da do Valério.

    Mestre Cardoso Direto – (partitura em formato pdf)
    Conto ao redor do fogo – (capa e instruções)

    As imagens a seguir foram tiradas por Arlindo Matos, Diretor da Rádio Tembés de Ourém, e que nos deu grande apoio pra realização do espetáculo.

    Confira o programa do evento, com o repertório, os nomes dos integrantes da orquestra, e uma breve biografia da OSTP, do regente e do Cardoso. O desenho da capa foi feito por Luciana Leal.

  • Aqui estão as toadas que Mestre Cardoso preparou este ano para as brincadeiras do seu boi Ouro Fino, de Ourém (PA). Nessas gravações, Cardoso cantou e tocou o tambor. Em algumas faixas, eu gravei a minha voz para o coro, e usei samples de instrumentos de percussão retirados do disco “Galo de campina” (2005).

    Gravei essas músicas no mês de Julho, no período em que estive com Cardoso para defender com ele a música “Não sou Norte-americano” no XXV FMO (veja o vídeo da apresentação no post anterior). A última faixa é, por sinal, o áudio dessa apresentação.

    Ouça e curta o som do Mestre. E se quiser baixar todas as faixas em um único arquivo zipado, clique aqui.