Tag: Ourém

Postagens sobre a música e a cultura da cidade de Ourém, no Pará.

  • No dia 26 de julho, Mestre Cardoso esteve na final do XXV Festival da Canção Ouremense, com a toada “Não sou norte-americano”, composta originalmente para ser cantada nas brincadeiras do boi Ouro Fino.

    Ganhou o primeiro lugar na categoria “Músicas de Ourém”. Ele foi acompanhado por Allan Carvalho (banjo e voz), Elaine Borges e “Ina” (Coro), Fábio Cavalcante (flauta e arranjo), e nas percussões, por André “Mixico”, Bruno, Natalino “Caratinga” e Rafael Barros.

    O video foi filmado por Arlindo Matos, que, além de ter incentivado Mestre Cardoso na inscrição, deu o título da música.

    Confira a letra desta toada de Mestre Cardoso:

    Não Sou Norte-Americano
    (Mestre Cardoso)

    Minha mãe, mamãe eu vou
    Amanhã para o Iraque
    Meu filho tenha cuidado
    Não vá passear de táxi
    Que os jornais de Bagdá
    Anunciam os ataques

    Minha mãe, quero benção
    Me diga adeus, que eu já vou
    Meu filho tenha cuidado
    Siga com nosso Senhor
    Mataram Saddam Hussein
    E a guerra continuou

    Minha mãe quero benção
    Quero ouvir as vozes suas
    Meu filho tenha cuidado
    Não vacile pelas ruas
    Mataram Saddam Hussein
    E a guerra continua

    Minha mãe, quero benção
    Não sei se eu volto este ano
    Meu filho tenha cuidado
    Pra depois não ter engano
    Comparar um brasileiro
    Com um soldado americano

    Eu cantei essa toada
    Aqui para o pessoal
    Porque eu tenho memória
    E tenho meu ideal
    Compositei em toada
    Conforme passa o jornal

  • Dia 17 de maio de 2008 estive na Escola Estadual D. Helena Guilhon, no Satélite, convidado pelo Erivelton Araújo, pra gravar a batucada do Boi Orube, formada por crianças e adolescentes. O boi Orube é um projeto criado por moradores do bairro, interessados em montar um boi-bumbá para a quadra junina deste ano.

    Eles contaram com o apoio (entre outros) do Instituto Arraial do Pavulagem, que doou um boi e emprestou brinquedos; da Fundação Curro Velho, que ofereceu as oficinas de Canto (com Luizinho Lins), Percussão (Rafael Barros) e dança (Bruna); do Centro Comunitário Satélite, cedendo o espaço para as oficinas; e da Verde Móveis, que doou madeiras para a oficina de construção de instrumentos, com Mestre Ray, de Icoaraci, onde foram confeccionadas barricas, maracás, matracas, ganzás e recos.

    O repertório do boi Orube (que em Tupi, significa “aquele que contagia, que traz alegria”) têm diversas toadas dos Mestres Cardoso (faixas 1, 2, 3 e 6) e Faustino (faixas 4 e 5), de Ourém. Os Mestre ouremenses já tiveram suas toadas tocadas em vários arrastões do Pavulagem (confira aqui e aqui), e é com grande prazer que eu vejo as suas criações conquistando espaço fora do município de Ourém. As músicas desses amos, cantadas pelos integrantes do Boi Orube, foram registradas originalmente nos três discos que lancei com eles em 2005 e 2006 (Galo de Campina, e Bois de Ourém Vol. 1 e 2).

    Ouça as gravações do Boi Orube nos links abaixo. E baixe todas as músicas em um único arquivo clicando aqui (arquivo zip).

    E assista aqui no Youtube um vídeo feito durante a gravação.

  • Nos dias 24, 25 e 26 de novembro de 2003 fui, acompanhado da Lila e dos meus amigos Arlindo Matos e Marcilene (de Ourém), à aldeia Frasqueira, dos índios Tembé, localizada no município de Santa Luzia do Pará.

    A festa, que dura uma semana, é um ritual de passagem que comemora a entrada das índias na adolescência, e não era realizada há vários anos. Um barracão construído num canto da aldeia era o local onde cantavam e dançavam o Caê Caê – dança tradicional daquele povo. As músicas falam dos animais da floresta, e apenas maracas são usadas para acompanhar as vozes. A dança é uma roda, que se faz aos pares em volta do centro do barracão. Algumas vezes se dançava do lado de fora, avançando de mãos dadas, formando uma longa barreira.

    Aqui estão quatro momentos dos Tembé cantando o Caê-Caê.

    Para baixar as músicas acima em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip).

    E logo abaixo, algumas fotos tiradas durante a festa.

    As pinturas corporais são feitas com óleo de jenipapo, e ficam marcadas no corpo por aproximadamente duas semanas. Não adiante esfregar – não sai. Essas pinturas representam animais como o macaco, a onça e a cobra.

    As guaribas e os mutuns ficam vários dias sendo moqueados. Quando estão bem secos, são então pilados e viram uma farinha. Dessa farinha é feito um bolo, que, segundo os costumes do povo Tembé, apenas os adultos podem comer. Então, as moças para as quais a festa está sendo feita, comem o bolo pela primeira vez.

  • Continuando a publicação dos discos da coleção “Bois de Ourém”, que iniciou na postagem anterior, aqui estão reproduzidas as informações do encarte do disco Bois de Ourém Vol. 2.

    Pai-do Campo

    Comandado por Faustino Almeida de Oliveira, o boi tem 18 anos de atividades no município de Ourém, quando a família de Mestre Faustino e Dona Miloca (proprietária do boi) se mudaram para o local. Antes disso, o grupo já brincava no Pacuí Claro, localidade do município de Capitão Poço, de onde são originários. Mestre Faustino começou a brincar boi com 10 anos de idade, junto com tios e irmãos, que todo ano montavam o brinquedo. O grupo, que nesses dezoito anos já se chamou “Flor-do-Campo” e “Dominador”, possui 40 integrantes.

    Geringonça

    O caçula dos bois de Ourém foi montado em 2005, a pedido do vereador Junhão, que chamou o amo Antônio Pereira de Sousa “Tuíte”, para reestruturar o antigo boi “Geringonça”, de Bené Careca, já falecido. Mestre Tuíte já comandou boi na região de Santarém, local de onde veio, e brinca em parceira com o Pai-do-Campo.

    Músicos participantes

    Tambores: Faustino Almeida de Oliveira, Sales Machado e Artur “Sukita”
    Onça, pandeiro, maracá, triângulo: Kayse Ribeiro de Oliveira
    Tamanco: Sales Machado
    Coro (Pai-do-Campo): Paulina Ribeiro de Oliveira, Salles Machado e André
    Coro (Geringonça): Maria Pedro da Silva “Louza”, Raimunda “Piticó” e Dioclécia
    Faustino Almeida de Oliveira: Voz (Pai do campo)
    Antônio Pereira de Sousa “Tuíte”: Voz (Geringonça)
    Produção, gravação e textos: Fábio Cavalcante”

    Ouça as músicas do disco Bois de Ourém Vol. 2 a partir dos links abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip).

    Mais informações sobre o álbum estão aqui nesta página, no sítio FGC Produções.

  • A coleção Bois de Ourém foi lançada em julho de 2006, em Belém, durante o tradicional Arrastão do Pavulagem. Na época eu apresentava aos sábados o programa “Sala de reboco”, na rádio Tembés, de Ourém, onde os amos dos bois haviam participado diversas vezes, e gravado algumas centenas de músicas. Empolgado com a beleza daquelas toadas, que são criadas aos montes por lá, fiz uma seleção de seis músicas de cada um dos quatro grupos do lugar, para produzir os dois discos. O “Bois de Ourém Vol. 1” é com os bois “Flor-do-Campo” (de Mestre Julião – da comunidade do Mocambo) e “Ouro Fino” (de Mestre Cardoso). O Volume 2 traz os bois “Pai-do-Campo” (Mestre Faustino) e “Geringonça” (Mestre Tuíte).

    O encarte do disco “Bois de Ourém Vol.1” vinha com uma breve história dos bois, dos amos, e a ficha técnica que reproduzo abaixo:

    Flor-do-Campo

    O mais antigo boi de Ourém em atividade é o do Mocambo – localidade quilombola próxima à sede do município. O fundador da brincadeira foi Sebastião dos Santos “Bofiá”, falecido em 1961. Em 64, Julião dos Santos, filho do Bofiá, assumiu o brinquedo e até hoje mantém a tradição. O boi foi vencedor de diversos concursos de Boi-Bumbá realizados na região. O grupo comandado por Julião teve várias denominações, como “Ás de ouro”, “Flor da mocidade”, “Flor da fazenda”, “Mimo dourado” e “Mimo do gado”. O nome “Flor-do-Campo” está registrado há quatro anos.

    Ouro Fino

    O Ouro Fino surgiu em Ourém, no bairro do Porão, no ano de 1993, junto com a chegada à cidade de seu comandante José Ribamar Cardoso. Nascido na Parnaíba, Piauí, Mestre Cardoso foi amo de boi pela primeira vez, ainda na sua terra natal, aos 14 anos, com o “Dominante”. São quase seis décadas colocando o boi pra brincar. Em 2005, Mestre Cardoso gravou seu primeiro disco – “Galo de campina”.

    Músicos do Flor-do-Campo

    Tambores: Luís Carlos Rodrigues “Rato”, Zé Ferreira, Zé Francisco, João Batista “Bulica” e Simião.
    Pandeiro e voz: Julião dos Santos.
    Maracás: Zé Francisco, José Walter dos Santos “Waltinho” e Luís Carlos Rodrigues “Rato”
    Triângulo: Fabinho
    Onça: Walter dos Santos “Waltinho”
    Coro: Zé Francisco, Luìs Carlos Rodrigues “Rato”, Zé Ferreira e João Batista “Bulica”.

    Músicos do Ouro Fino

    Elielson “Dodô” Medeiros Conceição: Atabaque, Pandeiro, triângulo e Coro.
    Elailson “”tarugo” Medeiros Conceição: Tambor e Coro.
    Evanilson “Bran” Medeiros Conceição: Tambor e Coro.
    Edenilce “Ina” Medeiros Conceição: Coro.
    Elza Nira Medeiros Conceição: Coro.
    José Cardoso: Voz e onça.

    Produção, gravação e texto: Fábio Cavalcante.

    Você ouve as músicas do disco “Bois de Ourém Vol. 1” no tocador abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip). E para baixar as letras das toadas, aqui.