Nos dias 24, 25 e 26 de novembro de 2003 fui, acompanhado da Lila e dos meus amigos Arlindo Matos e Marcilene (de Ourém), à aldeia Frasqueira, dos índios Tembé, localizada no município de Santa Luzia do Pará.
A festa, que dura uma semana, é um ritual de passagem que comemora a entrada das índias na adolescência, e não era realizada há vários anos. Um barracão construído num canto da aldeia era o local onde cantavam e dançavam o Caê Caê – dança tradicional daquele povo. As músicas falam dos animais da floresta, e apenas maracas são usadas para acompanhar as vozes. A dança é uma roda, que se faz aos pares em volta do centro do barracão. Algumas vezes se dançava do lado de fora, avançando de mãos dadas, formando uma longa barreira.
Aqui estão quatro momentos dos Tembé cantando o Caê-Caê.
Para baixar as músicas acima em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip).
E logo abaixo, algumas fotos tiradas durante a festa.
Dança do Caê caê Crianças Tembé Pintando o corpoGuaribas e mutuns moqueados
As pinturas corporais são feitas com óleo de jenipapo, e ficam marcadas no corpo por aproximadamente duas semanas. Não adiante esfregar – não sai. Essas pinturas representam animais como o macaco, a onça e a cobra.
As guaribas e os mutuns ficam vários dias sendo moqueados. Quando estão bem secos, são então pilados e viram uma farinha. Dessa farinha é feito um bolo, que, segundo os costumes do povo Tembé, apenas os adultos podem comer. Então, as moças para as quais a festa está sendo feita, comem o bolo pela primeira vez.
Os áudios desse post foram gravados no dia 21 de abril de 2007 quando visitei, com minha amiga Laurenir Peniche, o terreiro de tambor de mina de Pai Brasil, no bairro Jardim Sideral, em Belém do Pará, durante uma festa em homenagem a Ogum.
Se quiser, baixe todas as músicas em um único arquivo aqui (arquivo zip).
Preparei também o vídeo abaixo com imagens dessa visita ao terreiro. Repare na galera cantando parabéns a Ogum no final.
De 18 de dezembro a 1° de janeiro foi festejada a Marujada em Bragança (PA). Os ensaios no barração; a Furiosa tocando no coreto da praça; marujos e marujas de todas as idades dançando e se divertindo em louvor ao santo preto; as ladainhas das comitivas; cavalhada – que bela festa! O regional que mandava as danças pros marujos era formado por Zito e Lúcio (rabeca), Manel (Pandeiro), Zeca (Tambor), Kleber, Seu Pedro e Fernando (Banjo) e Júnior Soares (Violão).
Lúcio.Cléber e Zeca.Seu PedroManelJúnior Soares
Na festa da marujada, os marujos dançam roda, retumbão, xote, chorado, mazurca, arrasta-pé, valsa, a contradança… As gravações disponíveis aqui foram feitas por mim durante os ensaios e nos dias da festa.
Para baixar as músicas acima em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip).
Eis os vídeos da apresentação do Doristi no Teatro Waldemar Henrique, no dia 15 de fevereiro de 2007, às 24 horas. Essa apresentação foi a abertura da projeto “Pauta Maldita”, que pretendia acontecer quinzenalmente, à meia-noite, mas que morreu na segunda edição, onde também participei, com o Artesanato Furioso. Infelizmente a gravação de áudio ficou péssima – o plug do gravador foi colocado no buraco errado da mesa (snif! snif!). A gravação ficou baixinha e com chiado, e, irritado, pensei até em não postar nada do show. Passada a irritação, tô aqui postando tudo.
No repertório estão as músicas Alga Vive, San Ozama, Toada, Kaura-um, Retumbão, Lundu, Abacaba, Augé, Urubu, Ongom ongom, Very cat e Zaparip. Todas são do disco Doristi, exceto Urubu, parceria minha com o Allan Carvalho, e uma homenagem ao Waldemar Henrique, que no dia da apresentação faria 102 anos de idade. Jogando com a ideia de inversão da teoria doristi, eu Allan compusemos este “inversão” do sentido da letra de Uirapuru, que ficou assim:
Urubu (Fábio Cavalcante e Allan Carvalho)
Nunca mais de triparia / Eu subi a tamandaré O almofadinha afundava / E ficava caladinho Iá iá, e ficava caladinho Iá iá, caladinho almofadinha
Respeitava a realidade / e pariu olha o pombão Despintou com humildade / que soltou o urubu Hum hum, que soltou o urubu Hum hum, caladinho almofadinha
Me mentiu sobre o Kojak / pai-do-fogo e o mineral Calou do sei lá quem é / que chora com o sol a pino Ui ui, que chora com o sol a pino Ui ui, caladinho almofadinha
Bem na noite que eu me for / o santinho vai amar Ele vai deixar relax / all these dirty motherfucker Iá iá, all these dirty motherfucker Iá iá, caladinho almofadinha
Foi feito um pedido ao público que, caso gostassem, nos vaiassem e não aplaudissem. Eles gostaram. No meio da gravação toco na flauta a melodia do Uirapuru.
Contei com as participações especiais dos músicos Allan Carvalho (banjo e voz), Edgar Jr (percussão), Rafael Barros (percussão) e Renato Torres (violão, guitarra e voz), e dos dançarinos Aninha, Lorena, Maurício e Max. A filmagem foi feita pelo Josemar.
Projeto Doristi
Doristi é um projeto meu de 2005, que teve o apoio do Instituto de Artes do Pará (IAP), através de uma bolsa de pesquisa, experimentação e criação artística. Dele fiz um disco e dois livros.
O disco é esse abaixo, gravado entre setembro de 2005 e maio de 2006, em Ourém/PA. Todos os arranjos e gravações são meus, e o projeto gráfico é de Luciana Leal.
Participaram das gravações eu, Fábio Cavalcante (vozes, violões e flauta doce), Allan Pinheiro de Carvalho (banjo e coro), Natalino “Caratinga” Brasil (barricas, atabaques, pandeiro meia-lua, caxixi, claves, triângulo, ganzá, maracas, talheres, pente, onça e coco) e Odinéia Nascimento (coro). E o disco contou com a participação especial da Comissão de São Benedito de Ourém, sob o comando de Mimi Cachimbo, na faixa 8.
Os dois livros que fiz no projeto foram “Doristi – Teoria” (onde apresento o sistema Doristi, usado nas composições deste disco) e “Doristi – Songbook”, com as partituras das 14 músicas do disco (com grade completa, partes cavas e letras cifradas).
Doristi - Songbook (2006, Ourém, Pará). Songbook do disco Doristi, gravado em 2006, na cidade de Ourém, Pará.
Um encarte com todas as letras do álbum também pode ser baixado aqui.
Por fim, em 02 de dezembro de 2005, apresentei as músicas do disco no “Arte Final”, evento que reunia os bolsistas do IAP daquele ano. Tocaram comigo Roseane, Renato Torres, Allan Carvalho, Natalino “Caratinga” e André “Mixico”. Eis algumas imagens dessa noite.
Renato Torres, Fábio Cavalcante e Allan CarvalhoRoseane, Renato Torres, Fábio Cavalcante, Allan Carvalho, “Caratinga” e André “Mixico”Fábio CavalcanteRenato Torres, Fábio Cavalcante e Allan CarvalhoRoseane, Renato Torres, Fábio Cavalcante, Allan Carvalho, “Caratinga” e André “Mixico”Roseane e Renato TorresCapa por Luciana Leal
No Youtube estão postados os vídeos das 4 peças tocadas na segunda noite, do dia 23. A filmagem foi feita pelo Fábio Amaral. Veja abaixo.
Esta é a ficha técnica:
Sábado, 22 de setembro, meia-noite.
Cu cagão (Fábio Cavalcante) – partitura Allan Carvalho: Coro, Pano Fábio Cavalcante: Coro, Sons gravados Renato Torres: Voz, Balão Valério Fiel da Costa: Coro, Velcro
Silêncio, peixes e assombrações subaquáticas (Valério Fiel da Costa) – partitura Arthur Alves: Cello com delay Valério Fiel: Piano preparado
Missa (Valério Fiel da Costa) – partitura Alan, Allan, Cláudio, Judson, Renato: Panelas Valério Fiel da Costa: Voz, Teclado
Música de microfonia (Valério Fiel da Costa / Fábio Cavalcante) – partitura Fábio Cavalcante: Microfone, Toca-disco, Máquina de chuva, Balão Valério Fiel da Costa: Microfone, Rádio, Sons gravados, Roque-roque, Balão, Molho de conchas
Domingo, 23 de setembro, 20h.
Poluição sonora (Fábio Cavalcante) Allan Carvalho: Balão Cláudio Costa: Copos, Isopor Fábio Cavalcante: Sons gravados Valério Fiel da Costa: Copos, Isopor
Kensho (Valério Fiel da Costa) – partitura Allan Carvalho: Cadeira, Roque-roque, Percussões e Voz Cláudio Costa: Cadeira, Roque-roque, Percussões e Voz Valério Fiel da Costa: Cadeira, Roque-roque, Percussões e Voz
Cirurgião (Fábio Cavalcante) Alan Fonseca: Tarraxa de violão Cláudio Costa: Tarraxa de violão Fábio Cavalcante: Violão, Pente e Faca Valério Fiel da Costa: Sons gravados
Trash plastic (Valério Fiel da Costa / Lilian Campesato) Fábio Cavalcante: Plástico, Microfone, Lata de cerveja, Fita gomada Valério Fiel da Costa: Plástico, Copo, Papel