Tag: Folclore paraense

Postagens com material do folclore paraense e/ou referência a ele.

  • Lundu Marajoara é um tema tradicionalíssimo tocado e dançado na Ilha do Marajó, no Pará. É uma música também bastante conhecida em outras áreas do Estado, muito devido aos grupos parafolclóricos que o carregam como um clássico no repertório. Eis uma transcrição minha do tema.

    Partitura do Lundu Marajoara, transcrita por Fábio Cavalcante

    Já gravei e toquei esse tema incontáveis vezes, e vou deixar aqui algumas delas.

    Vou por ordem cronológica.

    O primeiro registro é de quando fui membro do Tanguru-pará, em 96 e 97. Tocávamo-lo em todas as apresentações, tanto como tema principal quanto como melodia incidental. Na gravação a seguir, feita ao vivo no projeto “Uma Quarta de Música”, do Centur, em junho de 1997, ela surge (em 1:48) como tema incidental no arranjo para duas flautas de “Mastro Bastião”, de Ronaldo Silva. O voz é de Allan Carvalho.

    E eis o mesmo arranjo, tocado em junho de 98 numa apresentação do Trio Guapo (formado por mim, Allan Carvalho e Márcio Macêdo – todos também membros do Tanguru-pará), no Teatro Experimental Waldemar Henrique. Aqui o Lundu entra em 1:35.

    Em 1999 fiz minha primeira gravação em estúdio do Lundu, com um arranjo exageradamente eletrônico todo montado no Fruity Loops. Ela foi a quinta faixa do meu FGC Vol. 0. Ouça aí.

    Em 2009, quando professor da disciplina “Arranjo e Improvisação” do curso de Licenciatura em Música da UEPA, no campus de Santarém, preparei com meus alunos um caderno de arranjos musicais que era acompanhado pelas gravações dos arranjos, interpretados pelos mesmos alunos (com exceção da flauta doce, sempre tocada por mim). O segundo arranjo do caderno foi do Lundu Marajoara, e o caderno pode ser baixado aqui 👇.

    Arranjos musicais da turma do 5º semestre do Curso de Licenciatura em Música (2009, Santarém, Pará). Arranjos criados na aula de "Arranjo e Improvisação" da UEPA de Santarém.

    A gravação do arranjo é esse a seguir.

    Outra gravação do Lundu apenas com sons eletrônicos fiz em 2010. Ela foi montada no Reaktor, e a coloquei num pretenso álbum meu que nunca finalizei chamado “singles“. Ouça aí.

    Essa versão de 2010, por sinal, toquei numa participação, no mesmo ano, no programa 7 Set Independente, da TV Cultura do Pará. Veja!👇(e saiba mais dessa participação aqui).

    Em fevereiro e março de 2018 produzi uma gravação do Lundu onde toquei duas flautas doces (soprano – a que toca a melodia original – e contralto), violão, e outra variedade de instrumentos virtuais. Mais uma vez, ouça aí!

    OUÇA NA SUA PLATAFORMA PREFERIDA:

    A arte da capa, arrasadora, é da Luciana Leal

    Arte de Luciana Leal

    songbook com a transcrição do arranjo desta gravação(para flauta doce soprano, flauta doce contralto, guitarra e contrabaixo) está no site da Amazon.

    Lundu Marajoara – Songbook (2018, Aracaju, Sergipe). Para flauta doce soprano e contralto, guitarra e contrabaixo. Com grade completa e partes cavas.

    Por fim, em maio de 2020, com a pandemia de Covid-19 nos prendendo em casa, gravei, junto com quatro grande amigos, um arranjo meu do Lundu para flauta transversal, flauta doce contralto, violino e violoncello, acrescido de um violão e percussão. Cada um gravou na sua casa, em 4 diferentes cidades (Belém, Natal, Aracaju e Londrina). Os músicos foram os seguintes:

    • Andréa Silveira: flauta transversal;
    • Arthur Alves: violoncelo;
    • Cláudio Costa: percussão;
    • Fábio Cavalcante: Flauta doce contralto e violão;
    • Thaís Carneiro: Violino

    E o resultado final foi este:

    E por enquanto é isto! 😊

  • Olha que história bacana eu soube hoje! Quase 60 anos depois de ir embora da casa dos pais sem despedir-se, Mestre Cardoso entra em contato novamente com seus familiares, e o contato surgiu depois que ele foi reconhecido pela Solange, neta de sua irmã, num post aqui do blog. 

     Segundo o meu amigo Arlindo Matos, de Ourém, “ela [a Solange] me disse que a avó falou de um problema que o Cardoso teve no ouvido quando criança. Ela identificou essa alteração na orelha dele através de fotos do teu blog (…)  Essas senhas foram lhe dando a certeza que era ele mesmo”.

    Mestre Cardoso,de  Ourém, aos 20 anos
    Cardoso aos 20 anos (imagem enviada pela Solange).

    Quando ainda morava em Ourém, algumas vezes eu pedi pro Mestre me contar sua história, e principalmente, sobre a viagem que ele fez do Piauí pra cá (Clique aqui para ouvir um depoimento dele sobre isso). Ele falava também dos vários irmãos e da falta de informações sobre eles – sabia apenas que tinha familiares em Brasília, e quase nada mais. Pois no sábado passado, através do telefone do Arlindo, o Cardoso falou com sua irmã Joana e outros familiares que moram na Capital Federal.

    Fiquei sabendo um pouco mais da história da família do Cardoso: Dos dez irmãos, seis já faleceram, sendo o Cardoso (com 76 anos) o único homem ainda vivo. Duas irmãs (Joana, de 96 anos; e Neide, 94) moram em Brasília; e outra irmã, Alice, a mais nova, na Argentina. E dando continuidade à brincadeira do boi na família, o Pedrinho, filho da Solange, tem lá em Brasília o seu boi também!

    Criança com um boi-bumbá ao lado
    Pedrinho e o boi.

    Há exatos 3 anos (em 9 de novembro de 2006), o Cardoso cantou pra mim uma música chamada “Eu recebi notícia de um irmão meu de Brasília”. Ele disse em uma entrevista no programa Sala de Reboco (que eu apresentava na Rádio Tembés de Ourém), que a música tratava duma carta que ele havia recebido de um irmão.

    Eu recebi notícia de um irmão meu de Brasília

    Eu recebi notícia / dum irmão meu de Brasília
    Há muito tempo / viajo com sua família

    Ele mandou uma carta / não mandou fotografia
    Pra relembrar o passado / do tempo que nós se via

  • Esse livreto que estou disponibilizando aqui no blog, em formato pdf, foi feito para os Arrastões de Junho do Arraial do Pavulagem. Ele traz 15 canções que foram ensaiadas e cantadas pelo Batalhão da Estrela nas ruas da Capital. Além disso, vem com uma ficha técnica bem detalhada do evento. A transcrição das partituras foi feita por mim, e o projeto gráfico é de Éder Oliveira e Natany Rodrigues.

    Arrastão do Pavulagem: Cantação de rua (2008, Belém, Pará). Transcrição das músicas tocadas e cantadas pelo boi Pavulagem, no ano de 2008, durante os tradicionais arrastões de rua realizados no período junino.

    O mateiral teve farta distribuição gratuita durante o período dos arrastões, mas acredito que já não se consegue mais um exemplar tão facilmente. Por isso, e por achar que contém partituras de amplo interesse, coloco ele aqui (arquivo pdf).

  • Aqui estão as toadas que Mestre Cardoso preparou este ano para as brincadeiras do seu boi Ouro Fino, de Ourém (PA). Nessas gravações, Cardoso cantou e tocou o tambor. Em algumas faixas, eu gravei a minha voz para o coro, e usei samples de instrumentos de percussão retirados do disco “Galo de campina” (2005).

    Gravei essas músicas no mês de Julho, no período em que estive com Cardoso para defender com ele a música “Não sou Norte-americano” no XXV FMO (veja o vídeo da apresentação no post anterior). A última faixa é, por sinal, o áudio dessa apresentação.

    Ouça e curta o som do Mestre. E se quiser baixar todas as faixas em um único arquivo zipado, clique aqui.

  • Na última sexta (6 de junho), no Teatro do Centur, aconteceu o show “Verequete Chama”, em benefício de Mestre Verequete, que estava internado há vários dias devido a uma pneumonia. A noite contou com a participação dos artistas Paulinho Mururé, Eduardo Dias e Alcyr Guimarães, dos grupos Mandinga da Amazônia, Sabor Marajoara, Sancari e Uirapuru; além da bateria da escola de samba Embaixada da Pedreira, que em 2003 venceu concurso da Prefeitura de Belém, tocando na avenida um samba criado em homenagem ao compositor.

    Confira abaixo os momentos do show que ficaram por conta do carimbó pau e corda dos grupos Sancari (nas três primeiras faixas) e Uirapuru (faixas 4, 5 e 6)  – este último formado em 1971, e que foi o grupo que acompanhou Verequete ao longo de sua carreira. O encerramento é ao som da bateria da escola da Pedreira.

    Para baixar todas as músicas, clique aqui (arquivo zip).
    O Show foi organizado por Allan Carvalho, Zezé Costa e Lucélia Costa.