Criado em 2000 por mim e Valério Fiel da Costa para apresentar nosso trabalho com eletroacústica, improvisação e indeterminação, o Artesanato Furioso chegou na sua quinta edição. Às 24:00h na Pauta Maldita do Teatro Waldemar Henrique (de novo eu lá, já que a abertura da “Pauta”, duas semanas antes, foi com o Doristi), nos apresentamos por duas noites. No dia 28 de fevereiro, com a peça Satori, do Valério, pra seis intérpretes, e com duas horas de duração. Assista aí a filmagem de Satori, e leia a partitura aqui.

Nesta apresentação tocaram os músicos Alan Fonseca (sopros), Allan Carvalho (cordas), Cláudio Costa (percussões), Fábio Cavalcante (sons gravados), Renato Torres (voz) e Valério Fiel (sintetizador).

O porão estava escuro e havia uma luminária e um microfone para cada intérprete, com exceção do Valério que, ao invés de um microfone, tinha um sintetizador ao lado. Para seguir a própria partitura, cada um usava um cronômetro – isso garantia também a independência do tempo de cada execução em relação às demais. E isso era importante: cada intérprete devia se manter indiferente aos outros, sem, por exemplo, tentar se “encaixar” em pulsos alheios. Ao mesmo tempo, certos sincronismos já estabelecidos pela partitura se tornavam inevitáveis com o uso do cronômetro – silêncios recorrentes a cada meia hora por exemplo, e os ataques simultâneos da voz (Renato Torres) e do sopro (Alan Fonseca), na primeira hora da peça (o primeiro módulo dos dois era: “1 hora tocando a mesma figura a cada 1 minuto”).

Na primeira metade da apresentação ficamos só os músicos e técnicos no porão, e o áudio do que tocávamos era enviado lá pra cima do teatro, onde o público nos ouvia nas caixas de som.

O próprio Valério me falou sobre essa idéia – “Pensei em pôr caixas porrada lá em cima no teatro, e tocar embaixo. Depois de 1 hora de música aparentemente fixa em suporte, alguém conduziria as pessoas para o porão (…). O coração do satori pulsando no subsolo se torna aparente. Lá embaixo, apenas (…) luminárias, uma formação compacta de microfones e (…) caixas meio distantes. As pessoas sobreviventes da primeira parte se acomodariam no chão sentadas em almofadas. Lá em cima as caixas continuam à toda.”

A filmagem, feita por Tânia Neiva (que também nos ajudou na maquiagem), não está completa – a bateria da câmera acabou com pouco mais de uma hora de gravação. Mas pelo menos conseguimos fazer o primeiro registro em vídeo do Artesanato Furioso. Das 4 edições anteriores só tenho fotos – e nenhum áudio! Para os que assistirem, notem na parte 6 a entrada do público, já uma hora depois. Segundo informações da coordenação do teatro, 70 pessoas foram ao evento àquela noite, mas, à uma da manhã, quando o porão foi aberto, aproximadamente 20 “sobreviviam”.

No segundo dia, fizemos um concerto com 6 peças:

  1. CC (Fábio Cavalcante) – peça eletroacústica com sons de defecação e improvisação com velcro, balões e panos. `Posteriormente intitulei essa música de Cu Cagão. Os improvisos ficaram a cargo do Valério (Velcro), Renato Torres (Balões) e Allan Carvalho (Panos);
  2. Missa (Valério Fiel da Costa) – peça para voz falada, sons gravados, metais percutidos e sintetizador;
  3. Poluição Sonora (Fábio Cavalcante) – para sons gravados e improvisação com balões (por Allan), copos e isopor (por Valério);
  4. Limiar (Valério Fiel da Costa) – para regente, tambor de onça e 8 rói-róis;
  5. Oferenda à Olorum (Alan Fonseca) – sons gravados; e
  6. A Cela (Valério Fiel da Costa) – partida de xadrez amplificada e sons gravados.

A cenografia ficou por conta de Aldo Paz, e a iluminação, de Eddie Pereira. E as participações especiais foram de Alan Fonseca, Allan Carvalho, Cláudio Costa, Renato Torres, Sttefane Trindade, Tânia Melo; e dos enxadristas Carlos Alfredo e Ubiratan dos Santos Lopes.

Eis três fotos da primeira noite.

Comentários

Uma resposta para “Artesanato Furioso na Pauta Maldita”

  1. Avatar de Anonymous
    Anonymous

    bom comeco

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