Os áudios desse post foram gravados no dia 21 de abril de 2007 quando visitei, com minha amiga Laurenir Peniche, o terreiro de tambor de mina de Pai Brasil, no bairro Jardim Sideral, em Belém do Pará, durante uma festa em homenagem a Ogum.
Se quiser, baixe todas as músicas em um único arquivo aqui (arquivo zip).
Preparei também o vídeo abaixo com imagens dessa visita ao terreiro. Repare na galera cantando parabéns a Ogum no final.
Por fim, eis o álbum de fotos da festa:
Última atualização em
.
22 respostas para “Festa a Ogum no Terreiro de Tambor de Mina de Pai Brasil”
Anonymous
Fábio!…
Achei muito bacana esses áudios. Mas, aqui na NET não baixa nada. Recordo apenas do som que escutei aí… Quando clico aqui aparce isso:
ERROR The requested URL could not be retrieved
Dá logo um jeito! Quero ter isso!… Ah, põe o Arajuba Tb.
Os links estão todos direitos. Fizeste como tá indicado lá em cima? – Para baixar músicas, clique com o botão direito sobre o link e selecione “salvar destino como…” ou “salvar link como…”.
Vê também se não é o servidor de onde estás acessando que impede o download de arquivos de áudio ou acima de um determinado tamanho. Alguns lugares, principalmente em locais de trabalho, colocam limitações desse tipo.
okolofé a todos, esta muito bom, gostaria de ouvi mais canto de mina, pois eu adorei e aprovei, apesar que eu sou da naçao ketu aqui de manaus. sou alagbé do Ilé Asé T´ogun Onijá
okolofé fabio, gostaria que voce em caricidamente me dece as cantigas copiada as ?_4*_pout-porri de cantigos e a _2*_ogum desde ja agradeço a sua compreensao espero retorno
Estou muito feliz de estarem divulgando minha religião que é pouco conhecida no Brasil. Coloque mais áudios do tambor de mina, sobre os encantados, de légua, turcos, mineiros e etc… Ficaremos muito gratos. Que Toy Liça abençoe todos!
Amigo ashé! Fico feliz em vc ter divulgado minha casa, dia 07/12 às 11:00 da manhã teremos um tambor de princesas, onde todas as yabas serão homenageadas.Desde já vc é nosso convidado, venha almoçar conosco ao término do tambor. Toy Vodunnon Aluizio Brasil.
Boa noite Fabio eu moro no Rio das Ostras RJ sou filho de santo do pai Euclides de sao luiz do maranhao e neto de manoel de nascimento de recife ( papai ) pesquisando musicas do tambor de mina chequei no seu blog como vc mora no Pará vc conhece esse CD A Música e o Pará V. 8 – Ponto de Santo O CD foi lançado pela Secult/PA, Secretaria de Cultura do Estado do Pará,e a pesquisa é da antropóloga Anaíza se vc conhece esse cd coloca ele ai ok obrigado Carlos
Oi Carlos. Eu conheço esse disco, mas infelizmente não tenho ele. Dei uma busca na internet, mas não achei também, nem pra comprar nem pra baixar. 🙁 Um abraço.
Boa noite Fabio obrigado to dando uma olhada no seu trabalho manero gostei se vc comhecer alquem que tenha me de um alo ok [email protected] obrigadao mesmo
ESSA CASA FOI MAIOR COISAS QUE ACONTECEU PARA NOSSO ESTADO EM RELAÇÃO DE RELIGIÃO TERMO SOBRE TAMBOR DE MINA TRAZENDO ORIGEM E FUNDAMENTOS NESSE CASO PAI MESTRE GRANDIOSO E VITORIOSO E OBRIGADO PELO SENHOR TER NOS DADOS ESSA GRANDE CASA AXÉ
Fantástico! Por um instante fechei os olhos e foi como se eu estivesse no Terreiro de Mina do bairro da Fé em Deus aqui em São Luís do Maranhão. Pretendo um dia visitar o Pará e conhecer o Tambor de Mina de nossos irmãos em axé de perto. No momento estou “pleiteando” uma vaga em mestrado, e nas minhas linhas de pesquisa estão as músicas (doutrinas e pontos) do Tambor de Mina e da Umbanda. Parabéns mais uma vez, tenho um arquivo de centenas de doutrinas e pontos, mas desta forma ainda não tinha visto ou ouvido (me refiro do Pará), pois tudo o que eu tenho do Pará está relacionado à Encantaria dos Filhos do Rei Turquia, e alguns estão com defeito na produção de áudio ou não são ao vivo…parabéns mais uma vez. Jean Charles…de São Luís do Maranhão…[email protected]
Continuando a publicação dos discos da coleção “Bois de Ourém”, que iniciou na postagem anterior, aqui estão reproduzidas as informações do encarte do disco Bois de Ourém Vol. 2.
Pai-do Campo
Comandado por Faustino Almeida de Oliveira, o boi tem 18 anos de atividades no município de Ourém, quando a família de Mestre Faustino e Dona Miloca (proprietária do boi) se mudaram para o local. Antes disso, o grupo já brincava no Pacuí Claro, localidade do município de Capitão Poço, de onde são originários. Mestre Faustino começou a brincar boi com 10 anos de idade, junto com tios e irmãos, que todo ano montavam o brinquedo. O grupo, que nesses dezoito anos já se chamou “Flor-do-Campo” e “Dominador”, possui 40 integrantes.
Geringonça
O caçula dos bois de Ourém foi montado em 2005, a pedido do vereador Junhão, que chamou o amo Antônio Pereira de Sousa “Tuíte”, para reestruturar o antigo boi “Geringonça”, de Bené Careca, já falecido. Mestre Tuíte já comandou boi na região de Santarém, local de onde veio, e brinca em parceira com o Pai-do-Campo.
Músicos participantes
Tambores: Faustino Almeida de Oliveira, Sales Machado e Artur “Sukita” Onça, pandeiro, maracá, triângulo: Kayse Ribeiro de Oliveira Tamanco: Sales Machado Coro (Pai-do-Campo): Paulina Ribeiro de Oliveira, Salles Machado e André Coro (Geringonça): Maria Pedro da Silva “Louza”, Raimunda “Piticó” e Dioclécia Faustino Almeida de Oliveira: Voz (Pai do campo) Antônio Pereira de Sousa “Tuíte”: Voz (Geringonça) Produção, gravação e textos: Fábio Cavalcante”
Mestre Faustino na matança do Pai-do-campo.Mestre Tuíte no centro do terreiro.Chapéus.Tuíte, Faustino e Sales na matança dos bois Pai-do-Campo e Geringonça
Ouça as músicas do disco Bois de Ourém Vol. 2 a partir dos links abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip).
Me emocionei muito. Cresci vendo essa cultura lá na comunidade do São José -Ourém. Hoje moro em São Saulo, mais nunca esqueci de minhas raizes.
um Privilégio encontrar esse material tão rico.
Valeu, Antônio! Os Bois de Ourém são marcantes demais mesmo. Já os conheci nos anos 2000, mas, desde então, nunca mais os esqueci. Sempre relembro deles.
A coleção Bois de Ourém foi lançada em julho de 2006, em Belém, durante o tradicional Arrastão do Pavulagem. Na época eu apresentava aos sábados o programa “Sala de reboco”, na rádio Tembés, de Ourém, onde os amos dos bois haviam participado diversas vezes, e gravado algumas centenas de músicas. Empolgado com a beleza daquelas toadas, que são criadas aos montes por lá, fiz uma seleção de seis músicas de cada um dos quatro grupos do lugar, para produzir os dois discos. O “Bois de Ourém Vol. 1” é com os bois “Flor-do-Campo” (de Mestre Julião – da comunidade do Mocambo) e “Ouro Fino” (de Mestre Cardoso). O Volume 2 traz os bois “Pai-do-Campo” (Mestre Faustino) e “Geringonça” (Mestre Tuíte).
Julião em Belém.Cardoso gravando.
O encarte do disco “Bois de Ourém Vol.1” vinha com uma breve história dos bois, dos amos, e a ficha técnica que reproduzo abaixo:
Flor-do-Campo
O mais antigo boi de Ourém em atividade é o do Mocambo – localidade quilombola próxima à sede do município. O fundador da brincadeira foi Sebastião dos Santos “Bofiá”, falecido em 1961. Em 64, Julião dos Santos, filho do Bofiá, assumiu o brinquedo e até hoje mantém a tradição. O boi foi vencedor de diversos concursos de Boi-Bumbá realizados na região. O grupo comandado por Julião teve várias denominações, como “Ás de ouro”, “Flor da mocidade”, “Flor da fazenda”, “Mimo dourado” e “Mimo do gado”. O nome “Flor-do-Campo” está registrado há quatro anos.
Ouro Fino
O Ouro Fino surgiu em Ourém, no bairro do Porão, no ano de 1993, junto com a chegada à cidade de seu comandante José Ribamar Cardoso. Nascido na Parnaíba, Piauí, Mestre Cardoso foi amo de boi pela primeira vez, ainda na sua terra natal, aos 14 anos, com o “Dominante”. São quase seis décadas colocando o boi pra brincar. Em 2005, Mestre Cardoso gravou seu primeiro disco – “Galo de campina”.
Músicos do Flor-do-Campo
Tambores: Luís Carlos Rodrigues “Rato”, Zé Ferreira, Zé Francisco, João Batista “Bulica” e Simião. Pandeiro e voz: Julião dos Santos. Maracás: Zé Francisco, José Walter dos Santos “Waltinho” e Luís Carlos Rodrigues “Rato” Triângulo: Fabinho Onça: Walter dos Santos “Waltinho” Coro: Zé Francisco, Luìs Carlos Rodrigues “Rato”, Zé Ferreira e João Batista “Bulica”.
Músicos do Ouro Fino
Elielson “Dodô” Medeiros Conceição: Atabaque, Pandeiro, triângulo e Coro. Elailson “”tarugo” Medeiros Conceição: Tambor e Coro. Evanilson “Bran” Medeiros Conceição: Tambor e Coro. Edenilce “Ina” Medeiros Conceição: Coro. Elza Nira Medeiros Conceição: Coro. José Cardoso: Voz e onça.
Produção, gravação e texto: Fábio Cavalcante.
Você ouve as músicas do disco “Bois de Ourém Vol. 1” no tocador abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip). E para baixar as letras das toadas, aqui.
Toadas de Mestre Cardoso (amo do boi Ouro Fino, de Ourém) e Mestre Faustino (do boi Pai-do-Campo) estão no repertório do cordão do Peixe-Boi deste ano. Ambos falam da natureza. A “Preservação da natureza”, do Pai do Campo, já vem sendo cantada pelo batalhão do Pavulagem desde junho do ano passado. E “Cadê a floresta?” foi feita por Cardoso especialmente pro arrastão do próximo domingo.
Cadê a floresta? (Mestre Cardoso)
Mamãe, cadê a floresta? Nossas vertentes, beleza Os peixes da piracema Não tem mais essa riqueza
Meu filho, o rio Guamá Criou pai, filho e bisnetos Agora só tem o resto Do verde da Natureza
Mamãe, cadê a floresta? O que é que o pássaro come Meu filho, é assim mesmo Do passado fico o nome
Meu filho, o rio Guamá Desmataram as cabeceiras Não tem mais as cachoeiras E quem faz isso é o homem
Este vídeo foi feito durante a apresentação de Cardoso e Faustino na I FEMAE (Feira de Música e Arte Estudantil), promovido pelo Colégio Pe. Ângelo Moretti, dia 29/12/2007, em Ourém. Os mestres são acompanhados por: Allan Carvalho (violão), Edgar Júnior (percussão), Fábio Cavalcante (flauta), Nazareno Silva (percussão) e Rubens Stanislaw (contrabaixo). O ensaio com Cardoso que aparece no começo foi feito no sítio de Arlindo Matos.
Aproveitando o tema das toadas lançadas pelos mestres, aqui estão imagens de trechos do rio Guamá onde fazendeiros mandaram derrubar toda a mata ciliar.
Desmatamento nas margens do Guamá.Retirada das matas ciliares em Ourém.Assoreamento no Guamá.
E repare nas imagens a seguir:
Trecho do rio com uma margem preservada e outra destruída;
Assoreamento – as margens, sem as árvores para servir de apoio, vão caindo no rio e formando ilhas, secando e tornando a navegação impraticável;
Assoreamento em frente à cidade de Ourém – a linha preta traçada na foto marca o local onde ficava a margem original. Hoje, no período seco, é possível, na frente da cidade, atravessar o Guamá à pé!
Margens diferentes.Rio secando.Assoreamento em frente à Ourém.
Estudos feitos no município apontam que 47% da mata ciliar do rio já foi perdida, reduzindo em até 37% as espécies de peixes nas áreas mais agredidas. A situação continua, lamentavelmente, crescendo sem nenhum controle.
Última atualização em
.
3 respostas para “Mestres de Ourém e as toadas da natureza”
Lila Bemerguy
Que pena!! O mais triste é ter a certeza que a situação só vai piorar…
Obrigado, Mariana! Tenho esse lundu aqui também. Gravei ele em 99 e é exageradamente eletrônico. O tema é de um instrumental tradicional no Pará. Abraços!
O Galo de Campina, do Mestre Cardoso, foi produzido, arranjado e gravado por mim em outubro de 2005, na cidade de Ourém, onde eu morava na época. Ele mostra o talento e a versatilidade do amo do Boi “Ouro Fino”, que aos 71 anos, mandava quente nos xotes, marchas, carimbós, sambas e toadas do seu primeiro disco. Lançado em Ourém (29/10/2005) e em Belém (04/11/2005), dele foram feitas 80 cópias, totalmente caseiras, com capas e encartes de papel reciclado, e cd’s gravados no computador.
Escrevi essa breve biografia do Cardoso para o encarte.
“José Ribamar Cardoso nasceu na Parnaíba, Piauí, em 4 de janeiro de 1933, filho de João Cândido Cardoso e Maria Francisca Cardoso. Aos dez anos começou a brincar em bois tradicionais da região, entre eles os de Martiliano, Chico Camilo, Antônio Leal e José Calebre. Com o parceiro e amigo de escola Geraldo Magela do Carmo, montou aos 14 anos o Boi Dominante. O ano era 1947. Com 20 anos vai para Coroatá, no Maranhão, onde conhece sua esposa Raimunda Lima da Silva. Com ela teve 14 filhos, dos quais seis sobreviveram. Em 1954, com 21 anos, muda-se para Carutapera. Logo depois chega no Pará, morando em Viseu, Bragança e Capitão Poço, até vir para Ourém em 1993, onde está até hoje. E até hoje, como faz há quase seis décadas, Cardoso coloca o boi para brincar todos os anos. Trabalhou como agricultor e vaqueiro nas diversas regiões onde morou. Atualmente é amo do boi Ouro Fino. Das faixas deste CD, ‘Eu mandei fazer uma rosa’, ‘O Ataque de Nova York’, ‘A prisão de Saddam Hussein’, ‘Mandei fazer uma trincheira ontem ‘ e ‘Adeus morena’, são toadas cantadas pelos integrantes do seu brinquedo.”
Os músicos que participaram das gravações são: Aristides Borges (cavaquinho); João “Cego” da Silva Matos (sanfona e coro); Raimundo “Tuíca” da Silva Matos (barrica, pandeiro e coro); Fábio Cavalcante (flauta e coro); Lila Bemerguy (coro) e Mestre Cardoso (maracá, pandeiro, onça e voz).
AristidesJoão Cego.Tuíca
Você pode ouvir as músicas do disco Galo de Campina a partir dos links abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip).
Deixe um comentário