• Neste domingo, 24 de junho, o boi Pai-do-Campo de Ourém estará acompanhando o arrastão do Pavulagem. O boi é comandado por Faustino Almeida de Oliveira (Mestre Faustino), que já participou do arrastão de Belém em 2005 e 2006.

    Eu e Mestre Faustino

    Mestre Faustino brinca boi na sede do município de Ourém há 19 anos, quando a família dele e de Dona Miloca, a proprietária do boi, se mudaram para o local. Antes disso o grupo brincava na comunidade do Pacuí Claro, interior de Capitão Poço, de onde são originários. Desde os 10 anos de idade, Faustino já montava o boi, com tios e irmãos.

    Estive em Ourém na semana passada pra combinar a vinda dos brincantes no domingo que vem, e fui a um ensaio do grupo, feito no terreiro de Dona Miloca. Entre os versos cantados pelo grupo, esses (de Mestre Tuíte, parceiro de Faustino) foram feitos especialmente pro arrastão de Belém:

    “Ó meu São João
    Eu tô vendo a tua imagem
    Vou de Ourém pra Belém
    Pro Arraial da Pavulagem

    Assim que eu gosto de ver
    Assim que eu gosto de olhar
    Vou levar boi Pai-do-Campo
    Pra Belém representar”

    Esse ano o Arraial do Pavulagem colocou no repertório do arrastão duas toadas de Mestre Faustino, que são cantadas na saída do cortejo, na escadinha. São elas: “Preservação da natureza” e “Meu boi surgiu dos encantos da floresta”. Esta última foi composta para o arrastão de bois de Ourém, que acontece desde 2005, reunindo os 4 grupos em atividade de lá. As duas músicas saíram no disco Bois de Ourém (Vol. 2), gravado em 2006. Confira aqui gravações e letras dessas músicas:

    Preservação da natureza
    (Mestre Faustino)

    “Meu batalhão saiu na rua
    Mostrando sua beleza
    Ele veio pedir pro povo
    A preservação da natureza
    Não derrube a mata verde
    É isso que Deus não quer
    Se derrubar mata virgem
    Vai secar nossos igarapés”

    Meu boi surgiu dos encantos da floresta
    (Mestre Faustino)

    “Meu boi surgiu dos encantos da floresta
    Trazendo vida, tradição em nossa festa
    Boi Pai-do-Campo tem coisa de assombração
    Tem Curupira, Catirina e Folharal

    “Arrasta, meu boi, arrasta
    Arrasta esse povão
    O tom dessa batucada
    Dá força em meu batalhão
    “Meu Pai-do-Campo é o gado do lugar
    Tem muita força, tradição para mostrar
    “Meu batalhão é criado no Pará
    Está disposto à beira do Rio Guamá”

    Aqui estão imagens da matança do Pai-do-Campo, em 2006.

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  • O Boi Pavulagem completou 20 anos domingo, 10 de junho. Muita onda no aniversário! Arrastão pelas ruas, show com a praça lotada (falam em aproximadamente 10 mil pessoas!), apresentação à noite no Gasômetro, com dezenas de batuqueiros, dançarinos e sopros invadindo o teatro no final, carregando até um bolo com vela de 20 anos!!

    Tenho gravado os arrastões do Pavulagem (peixe-boi, quadra junina e círio) há vários anos, primeiro devido à importância que dou ao brinquedo, que pelo tamanho que tomou, pela organização, pelas toadas lindas; é único na cidade; e depois porque gosto pra caralho daquela farra. Caminhar ao lado do batalhão sentindo o baque dos tambores; ver as cores – dos chapéus, do couro dos bois, das bandeiras, fitas; enfim, pra mim essa é uma das vantagens que Belém ainda tem (e que as tem cada vez menos!).

    Este ano tive a oportunidade de estar mais perto da brincadeira, graças a um convite do Ronaldo Silva pra comandar, junto com o Allan PC, os ensaios de canto do batalhão. Um mês de ensaio (maio), e agora um mês de arrastões pela frente. Aproveitei e fiz registros de vários momentos, que vou postando aos poucos aqui no blog.

    Este vídeo mostra o batalhão ao som da música “Da Roseira Nasce a Rosa”, de Mestre Cardoso, amo do Boi Ouro Fino, da cidade de Ourém (PA), e que entrou no repertório do arrastão esse ano. A letra diz:

    “Da roseira nasce a rosa / Do amor nasce a amizade
    Quem se ama não esquece / Quem se lembra tem saudade

    Da roseira nasce a rosa / E dela nasce o perfume
    Mas o amor é feliz / Quando ele não tem ciúme

    O amor é uma semente / Ele vem do coração
    Aonde tem o ciúme / Só dá muita confusão”

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  • Fiz Cu cagão para ser tocado na quinta edição do Artesanato Furioso. Vinha gravando desde janeiro de 2007 os sons de algumas cagadas, e com a confirmação junto ao Valério de que nesse ano iríamos fazer mesmo a quinta edição, direcionei a criação dela para esse evento, que aconteceu no Teatro Experimental Waldemar Henrique, em Belém/PA, no dia 1° de março de 2007. O programa abaixo foi o entregue ao público, e, infelizmente, nenhum registro foi feito dessa tocada. Na época chamei esta música de “C.C.”, meio que querendo esconder o palavrão do público.

    Uma observação: esta não é a primeira música “escatológica” nas costas do Artesanato. Na primeira edição, em 2000, fiz uma com sons de arroto – as amostras “cantavam” a Fuga 1 de Bach. É essa abaixo.

    Cu Cagão foi escrita para “sons gravados”, vozes, balão, pano e velcro; e no dia da apresentação tocaram os músicos Allan Carvalho (no pano), Fábio Cavalcante (sons gravados), Renato Torres (balão e voz) e Valério Fiel da Costa (Velcro). Todos ajudavam no coro. Já a gravação em estúdio não tem velcro, pois me pareceu desnecessário. Eis a letra:

    “Caguei ‘inda há pouco / O supermercado
    Caguei ‘inda há pouco / O boi descongelado
    Caguei ‘inda há pouco / No Waldemar Henrique
    Caguei ‘inda há pouco / Muito
    Caguei ‘inda há pouco / O saber da cozinheira
    Caguei ‘inda há pouco / A saideira”

    Em 22 de setembro do mesmo ano de 2007, o Artesanato Furioso fez uma apresentação no Instituto de Ciências da Arte (ICA), também em Belém. Cu cagão foi tocado e, desta vez, gravado. Participaram dessa tocada Renato Torres (voz e balão), Allan Carvalho (pano), Fábio Cavalcante (sons gravados),  e Valério Fiel da Costa (velcro). É o registro disponível a seguir.

    O cartaz e o programa desta apresentação em setembro são da Luciana Leal, sobre foto de Júlio Santos.

    Se quiser ouvir outras músicas do Artesanato Furioso, visite a página do duo no Sítio FGC `Produções.

    2 respostas para “Essa música é uma merda!”

    1. Avatar de Anonymous
      Anonymous

      Hi, I can’t understand how to add your site in my rss reader. Can you Help me, please 🙂

      rH3uYcBX

    2. Avatar de Fábio Cavalcante

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      It works for the blog section (www.blog.fabiocavalcante.com). The site itself (www.fabiocavalcante.com) doesn’t have a feed, but almost everything i add there is advertised on the blog.Fábio

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  • Dia 22 de março os estudantes de Belém fizeram essa manifestação cobrando investigação das denúncias que tem sido feitas contra o Prefeito Duciomar Costa. Aí fui me divertir fazendo esse pequeno vídeo com cenas da manifestação. Queria ter postado ele “em cima do lance”, mas a conexão banda lerda de casa não permitiu. Só agora, graças à uma banda larga amiga, consegui publicá-lo. A qualidade da imagem não é lá grande coisa, tá? Mas curti muito ouvir o corinho cantar pra tropa de choque: “O Movimento Estudantil / O Duciomar vá pra puta que pariu!”.

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  • Criado em 2000 por mim e Valério Fiel da Costa para apresentar nosso trabalho com eletroacústica, improvisação e indeterminação, o Artesanato Furioso chegou na sua quinta edição. Às 24:00h na Pauta Maldita do Teatro Waldemar Henrique (de novo eu lá, já que a abertura da “Pauta”, duas semanas antes, foi com o Doristi), nos apresentamos por duas noites. No dia 28 de fevereiro, com a peça Satori, do Valério, pra seis intérpretes, e com duas horas de duração. Assista aí a filmagem de Satori, e leia a partitura aqui.

    Nesta apresentação tocaram os músicos Alan Fonseca (sopros), Allan Carvalho (cordas), Cláudio Costa (percussões), Fábio Cavalcante (sons gravados), Renato Torres (voz) e Valério Fiel (sintetizador).

    O porão estava escuro e havia uma luminária e um microfone para cada intérprete, com exceção do Valério que, ao invés de um microfone, tinha um sintetizador ao lado. Para seguir a própria partitura, cada um usava um cronômetro – isso garantia também a independência do tempo de cada execução em relação às demais. E isso era importante: cada intérprete devia se manter indiferente aos outros, sem, por exemplo, tentar se “encaixar” em pulsos alheios. Ao mesmo tempo, certos sincronismos já estabelecidos pela partitura se tornavam inevitáveis com o uso do cronômetro – silêncios recorrentes a cada meia hora por exemplo, e os ataques simultâneos da voz (Renato Torres) e do sopro (Alan Fonseca), na primeira hora da peça (o primeiro módulo dos dois era: “1 hora tocando a mesma figura a cada 1 minuto”).

    Na primeira metade da apresentação ficamos só os músicos e técnicos no porão, e o áudio do que tocávamos era enviado lá pra cima do teatro, onde o público nos ouvia nas caixas de som.

    O próprio Valério me falou sobre essa idéia – “Pensei em pôr caixas porrada lá em cima no teatro, e tocar embaixo. Depois de 1 hora de música aparentemente fixa em suporte, alguém conduziria as pessoas para o porão (…). O coração do satori pulsando no subsolo se torna aparente. Lá embaixo, apenas (…) luminárias, uma formação compacta de microfones e (…) caixas meio distantes. As pessoas sobreviventes da primeira parte se acomodariam no chão sentadas em almofadas. Lá em cima as caixas continuam à toda.”

    A filmagem, feita por Tânia Neiva (que também nos ajudou na maquiagem), não está completa – a bateria da câmera acabou com pouco mais de uma hora de gravação. Mas pelo menos conseguimos fazer o primeiro registro em vídeo do Artesanato Furioso. Das 4 edições anteriores só tenho fotos – e nenhum áudio! Para os que assistirem, notem na parte 6 a entrada do público, já uma hora depois. Segundo informações da coordenação do teatro, 70 pessoas foram ao evento àquela noite, mas, à uma da manhã, quando o porão foi aberto, aproximadamente 20 “sobreviviam”.

    No segundo dia, fizemos um concerto com 6 peças:

    1. CC (Fábio Cavalcante) – peça eletroacústica com sons de defecação e improvisação com velcro, balões e panos. `Posteriormente intitulei essa música de Cu Cagão. Os improvisos ficaram a cargo do Valério (Velcro), Renato Torres (Balões) e Allan Carvalho (Panos);
    2. Missa (Valério Fiel da Costa) – peça para voz falada, sons gravados, metais percutidos e sintetizador;
    3. Poluição Sonora (Fábio Cavalcante) – para sons gravados e improvisação com balões (por Allan), copos e isopor (por Valério);
    4. Limiar (Valério Fiel da Costa) – para regente, tambor de onça e 8 rói-róis;
    5. Oferenda à Olorum (Alan Fonseca) – sons gravados; e
    6. A Cela (Valério Fiel da Costa) – partida de xadrez amplificada e sons gravados.

    A cenografia ficou por conta de Aldo Paz, e a iluminação, de Eddie Pereira. E as participações especiais foram de Alan Fonseca, Allan Carvalho, Cláudio Costa, Renato Torres, Sttefane Trindade, Tânia Melo; e dos enxadristas Carlos Alfredo e Ubiratan dos Santos Lopes.

    Eis três fotos da primeira noite.

    Uma resposta para “Artesanato Furioso na Pauta Maldita”

    1. Avatar de Anonymous
      Anonymous

      bom comeco

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