A polca “Flor amorosa” foi composta por Joaquim Callado no seu último ano de vida, 1880, quando faleceu prematuramente, aos 31. O compositor e flautista já era reconhecido como a figura mais importante da cena do Choro que surgia na época. Flor amorosa foi mesmo sua última música, tendo sido publicada em partitura logo após a sua morte, com versos de Catulo da Paixão Cearense. A música se tornou um clássico do choro, e, provavelmente, a sua mais famosa composição. Neste mês de maio, gravei a música de Callado (instrumental, sem a letra de Catulo) numa versão bastante eletrônica. Ouça:
A primeira gravação de Flor amorosa é de 1902, feita na Casa Edison pelos Irmãos Eymard, na alvorada do registro sonoro no Brasil, visto que a primeira gravação no país havia sido feita no mesmo ano. Ouça aí essa delícia.
Última atualização em
.
2 respostas para “Flor amorosa”
Augusto Contreiras
Fábio Cavalcante, meus entusiasmados cumprimentos por este grandiosíssimo registro deste grande marco inicial da música popular brasileiro. O conhecimento é para ser compartilhado e não guardado eternamente, para que as novas gerações possam conhecer. Um parab´éns afetuoso para ti por dividir conosco esta raridade raríssima. Toco violão de 7 cordas.
Augusto, fico feliz em saber que curtes o material postado aqui no blog. Muito legal! 🙂 Obrigado pelo comentário. Muita música pra ti e um grande abraço.
Esta é a Fuga nº 2 em dó menor, do primeiro livro do Cravo Bem Temperado, composto por Johann Sebastian Bach em 1722. As três vozes da peça, escrita para cravo, são cantadas aqui com sons de arrotos meus.
A produção desta Fuga II (gravação, onde contei com a ajuda de uma latinha de coca-cola; edição de som e mixagem no Reaper) está registrada neste pequeno vídeo logo abaixo.
Em 2000, gravei uma primeira versão dessa ideia (a Fuga II “arrotada”), especialmente para uma apresentação do duo Artesanato Furioso. É a versão a seguir.
Fuga 2 em cópia manuscrita do compositor, feita no ano da composição (1722). O fac-símile completo do livro está disponível no International Music Score Library Project.
“FGC, Vol. 666” é meu 9º álbum. É uma homenagem ao diabo (o anjo rebelde, pai do rock e bode lascivo) em seis canções e três instrumentais, gravados em 2018, todos com instrumentos virtuais.
“Urubu” (a faixa 7) é a música mais antiga. Composta em 2006, em parceira com Allan P. Carvalho, ela foi planejada para o álbum Doristi, mas acabou não entrando no disco. Entrou agora, neste FGC Vol. 666. “Hino ao sol” é um tema tradicional do povo indígena peruano. As demais músicas são todas de minha autoria, assim como os arranjos, e a diabólica arte da capa é de Luciana Leal.
“Urubu” foi tocada pela primeira vez em 15 de fevereiro de 2007, na Pauta Maldita do Teatro Waldemar Henrique, em Belém, num show de divulgação do Doristi. É o vídeo abaixo, onde estou orgulhosamente na companhia dos meus caros Allan Carvalho (banjo e voz); Renato Torres (guitarra e Voz); Edgar Júnior (percussão) e Rafael Barros (percussão).
E com o “Hino ao Sol” eu já havia trabalhado duas vezes antes. Uma foi na apresentação do meu show “Lanoi Cid Art”, em agosto de 2017 no Sesc de Aracaju, e outra num clipe caseiríssimo que fiz pro YouTube, em 2014. Usei, nas duas vezes, o mesmo arranjo apresentado neste novo álbum.
A título de curiosidade, eis um rascunhão no violão que fiz de Vai-quem-quer (faixa 1 deste álbum).
Sistema Doristi no FGC vol. 666
Quero agora falar de um assunto um tantão teórico musical, que é mostrar alguns exemplos práticos do meu sistema Doristi, que criei em 98 (no meu TCC da graduação em música), usei publicamente no meu álbum Doristi, de 2006, e que venho usando desde então em muitas das minhas composições. O primeiro exemplo são as partituras que mostram o processo de criação do arranjo de Anticristo, a faixa 8 deste FGC Vol. 666. O primeiro trecho instrumental de “Anticristo” traz uma melodia em tom maior e sua versão doristi, perfeitamente espelhada.
Ouça abaixo as duas versões, uma após a outra.
Depois criei uma segunda voz, no baixo. Veja a partitura abaixo, ouça o arranjo mais abaixo, se quiser, e, se quiser também, ouça depois a versão final. 🙂
Depois, ainda em “Anticristo”, o instrumental no piano que usei no meio da faixa veio de um choro que criei, e que chamei num primeiro momento de “O Anticristinho” (veja no manuscrito abaixo). E esse choro, por sinal, foi, por sua vez, criado a partir do arranjo que fiz pra música “Índio Civilizado“, que gravei no disco do compositor Juvenal Imbiriba – o choro é a versão Doristi deste arranjo. Ele ocorre em 02:47 de “Anticristo“.
Pra ouvir a partitura acima, use o tocador abaixo.
O Solo final de “Inferno” é outro exemplo do uso do sistema Doristi neste álbum.
A melodia deste solo é uma variação, em doristi, do coral “Jesus, alegria dos homens“. Como a peça de Bach está em 3/4 (e a minha em 4/4), fiz algumas adaptações na melodia. Este processo está na folha abaixo.
Ouça aí a versão final.
Em Vai-quem-quer, os dois solos desta faixa 1 vieram da inversão, seguindo o sistema doristi, de duas melodias em tom maior; e mais uma vez o resultado me deixou bastante satisfeito – me parecem simples e diferentes.
Aí embaixo está a transcrição das melodias (as originais e as invertidas). A segunda melodia que inverti, por sinal, não é minha; é da toada Avoa Avião, do Mestre Cardoso, que gravei no meu último disco. Ouça a versão do Cardoso aqui 👇.
E, de novo, para ouvir as melodias e cifras acima, use o tocador abaixo.
Por fim, o solo de Urubu (faixa 7), uma canção minha com o Allan Carvalho, também está na escala doristi, e a partitura a seguir mostra três etapas dessa composição – a melodia original, em ré; a conversão pra doristi, em si; e depois a versão final, que é a mesma melodia convertida, mas com umas alteraçõezinhas que preferi fazer.
No tocador abaixo dá pra ouvir só o recorte deste trecho na “versão final”.
Nos últimos seis meses publiquei nos serviços de streaming 13 gravações minhas anteriores a 2013, e que ainda não estavam assim disponíveis – 2 álbuns, 1 EP e 10 singles. A mais antiga é “Retumbão” (um tema instrumental tradicional da Marujada de Bragança, no Pará), e que foi minha primeira gravação no home studio, feita em 2000. A mais recente é a cantiga infantil “Dó, Ré, Mi, Fá”, de junho de 2013.
Aproveitei essa republicação para remasterizar as antigas gravações, que também ganharam arte gráfica da Luciana Leal – com exceção dos singles “Fui passar na ponte”, “Carnaval do meu nariz e boca”, e “Dó, Ré, Mi, Fá”, cujas capas foram feitas por mim, e são, não por acaso, as mais sem graça. Além disto, preparei songbooks para 4 delas, todos disponíveis na Amazon.
Para quem quiser conhecer ou reouvir esses meus trabalhos passados, eu os reúno aqui ao lado das novas capas e songbooks. Confira:
Retumbão
Arte de Luciana LealCapa
“Retumbão” foi gravado em fevereiro de 2000, e está disponível nestas e noutras plataformas: Spotify, Dezzer, Apple Music, Amazon. Para saber mais sobre ele, clique aqui.
Lundu Marajoara
Arte de Luciana LealCapa
“Lundu Marajoara” foi gravado em maio de 2000, e está disponível nestas e noutras plataformas: Spotify, Dezzer, Apple Music, Amazon. Para saber mais sobre ele, clique aqui.
Vem vá, macaco
Arte de Luciana LealCapa
Fiz essa gravação usando a mesma base instrumental de uma pretensa faixa do meu primeiro disco (“FGC, Vol. 1”, de 2002) – um pout-pourri instrumental com “Forró do Zé Lanzudo” (de Elias Soares e Manoel Serafim) e “O Quente do Norte” (de Zé Paraíba). Mas, sendo este pout-pourri a única faixa que não era de minha autoria, em 2003 eu substituí a melodia dele pela de “Vem cá, macaco”, recém composta. Bem, nenhuma ficou no álbum – o pout-pourri eu descartei, e “Vem cá, macaco” virou um single – esse um. A capa de Luciana Leal foi feita apenas em 2018, para a publicação nos serviços de streaming.
Sobre a composição, tenho a dizer sobre o tema que ele é, originalmente, um choro, que compus em 2003, em Ourém/PA, e título é uma referência ao padre Ângelo Moretti, figura muito reverenciada no lugar. Conta-se que o padre chamava os fiéis com o bordão “Vem cá, macaco!”, e era chamando-os assim que ele pedia (e conseguia) recursos para a construção da atual igreja de Ourém.
Preparei um songbook de “Vem cá, macaco”, com transcrição do instrumental a duas vozes, e que está disponível na Amazon.
Vem cá, macaco – songbook (2003, Ourém, Pará). Songbook de “Vem cá, macaco”, composição instrumental a duas vozes.
Essa gravação (a primeira) de “Vem cá, macaco” foi feita em junho de 2003. Um ano depois (2004) regravei “Vem cá, macaco” para a abertura do curta-metragem de animação “A Onda – Festa na Pororoca“, num arranjo bem mais acelerado para flauta doce.
E mais tarde, em 2009, fiz outra gravação do tema, eletrônico que nem essa primeira, para o EP “FGC Vol. 5“. Ela tá logo aí embaixo.
“Fui à Espanha” foi gravado em outubro de 2003, e originalmente lançado em novembro do mesmo ano como uma das faixas do álbum “FGC, Vols. 2 & 3”. Para mais informações sobre esse álbum, clique aqui.
Fui passar na ponte
Arte de Luciana LealCapa
“Fui passar na ponte” foi gravado em agosto de 2003, e originalmente lançado em novembro do mesmo ano como uma das faixas do álbum “FGC, Vol. 2”. Para mais informações sobre esse álbum, clique aqui.
Não chore, não
Arte de Luciana LealCapa
“Não chore, não” foi gravado em outubro de 2003, e originalmente lançado em novembro do mesmo ano como uma das faixas do álbum “FGC, Vol. 2”. Para mais informações sobre esse álbum, clique aqui.
Ó que noite tão bonita! / Pescador da barquinha
Arte de Luciana LealCapa
O pout-porri “Ó que noite tão bonita” / Pescador da barquinha” foi gravado em janeiro de 2005, e originalmente lançado em fevereiro do mesmo ano como uma das faixas do álbum “FGC, Vol. 3”. Para mais informações sobre esse álbum, clique aqui.
Doristi
O songbook do álbum “Doristi”, com grade completa, partes cavas e letras cifradas, está disponível na Amazon.
Doristi – Songbook (2006, Ourém, Pará). Songbook do disco Doristi, gravado em 2006, na cidade de Ourém, Pará.
O álbum foi lançado em jungo de 2006, e está disponível nestas e noutras plataformas: Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon. Para saber mais sobre ele, clique aqui.
Cu cagão
Arte de Luciana LealCapa
“Cu cagão” foi gravado em março de 2007, e está disponível nestas e noutras plataformas: Spotify, Dezzer, Apple Music, Amazon. Para saber mais sobre ele, clique aqui.
O Songbook deste EP, com melodias cifradas, está disponível no site da Amazon.
FGC, Vol. 5 – Songbook (2009, Belém, Pará). Songbook do EP “FGC Vol. 5”, com melodias cifradas das duas faixas instrumentais (“Retumbão” e “Vem cá, macaco”).
O EP foi originalmente lançado em novembro de 2009, e está disponível nestas e noutras plataformas: Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon. Para saber mais sobre ele, clique aqui.
Carnaval do meu nariz e boca
Arte de Fábio CavalcanteCapa
O single foi gravado em fevereiro de 2012, e está disponível nestas e noutras plataformas: Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon. Para saber mais sobre ele, clique aqui.
Catalendas (Trilha Sonora Original)
Arte de Luciana LealCapa
O álbum foi originalmente lançado em janeiro de 2013, e está disponível nestas e noutras plataformas: Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon. Para saber mais sobre ele, clique aqui.
Dó, Ré, Mi, Fá
O songbook de “Dó, Ré, Mi, Fá” está disponível na Amazon.
Dó, Ré, Mi, Fá – Songbook (2013, Santarém, Pará). Para vozes, sinos, sintetizador e contrabaixo. Com grade completa e partes cavas.
“Dó, Ré, Mi, Fá” foi gravado em junho de 2013, e está disponível nestas e noutras plataformas: Spotify, Dezzer, Apple Music, Amazon. Para saber mais sobre ele, clique aqui.
Este álbum reúne 16 músicas de trilhas que criei para teatro e vídeo. Pra ser bem exato, criei 21 trilhas sonoras, das quais 10 estão contempladas aqui. A mais antiga é “Ad Infinitum”, montada em 2000 pela Companhia Atores Contemporâneos, de Belém, e dirigida por Miguel Santa Brígida. A mais recente é “Espetáculo de você”, texto de Raquel Catunda Pereira, apresentado em 2015 pelo grupo de teatro Iurupari (da Universidade Federal do Oeste do Pará – Ufopa), e dirigido por Leandro Cazula. Todas as faixas são instrumentais, e fiz questão de fazer uma seleção com estilos diversos. Elas também foram remasterizadas especialmente para este lançamento. A arte da capa é da Luciana Leal, sobre desenho de Frederico Cavalcante.
“Vem cá, macaco” e “A lenda da Pororoca” são músicas do filme de animação “A Onda – Festa na Pororoca”, dirigido por Cássio Tavernard em 2005. Em 2009 foi lançada uma sequência: “O Rapto do Peixe-boi”, da qual a música homônima (faixa 9) é o tema de abertura. Essa sequência foi dirigida por Cássio Tavernard e Rodrigo Aben-Athar.
Gravei “Vem cá, macaco” outras duas vezes. A primeira em 2003, com sobras do meu primeiro disco, FGC Vol. 1; e a segunda em 2009, para o EP “FGC Vol. 5“. São gravações exageradamente eletrônicas, ao contrário da versão pra trilha de “A Onda”, com flautas doces sobressaindo. Ouça elas aqui:
Voltando aos filmes, eles podem ser vistos na íntegra logo abaixo. Além disso, as trilhas completas dos dois estão disponíveis nesta página do meu site FGC Produções.
“Madalenas” e “Choque”, as faixas 3 e 4, são da peça teatral “Paixão Barata e Madalenas”, apresentada pela Escola de Teatro e Dança da UFPA – ETDUFPA, em 2001. A trilha ganhou, no mesmo 2001, o prêmio de melhor sonoplastia no I Festival Paraense de Teatro, e a peça, dirigida por Wald Lima e Karine Jansen, “trouxe grandes polêmicas na cidade” de Belém.
“Catalendas” e “Catalendas II” (faixas 6 e 5) são os temas de abertura de duas temporadas do programa televisivo infantil “Catalendas”, criado pelo grupo In Bust – Teatro com Bonecos, e exibido pela TV Cultura do Pará. A primeira veio ao ar em 2002; a segunda, em 2012. O programa têm hoje um canal no YouTube com muitos episódios disponíveis. É o lugar perfeito para conhecê-lo e revê-lo. Visite-o aqui. O vídeo abaixo é a abertura do programa, na versão de 2012 (com a música Catalendas II).
“Technoão / Techno Tchu” foi feita para a versão em DVD – lançado em 2017 – do documentário Brega S.A. (de Vladimir Cunha e Gustavo Godinho). A versão original do filme, de 2009, não contém as músicas que compus pro DVD; mas como encontrei na internet apenas a versão original, é ela que compartilho aqui.
“Entrada dos Palhaços” e “O Mágico” (faixas 8 e 10) foram compostas e gravadas para “Chico Tripa – Diário de um Palhaço”. Este é um projeto de Cássio Tavernard, apresentado sob a forma de vídeo-performance, em 2009, no antigo Instituto de Artes do Pará. A parte em vídeo da vídeo-performance está na íntegra no YouTube – e logo abaixo. A trilha sonora completa pode ser ouvida aqui.
“Espetáculo de você” e “Mas ainda podem” (faixas 11 e 13) são, como falei antes, da peça “Espetáculo de você”, de Raquel Catunda Pereira, apresentado pelo grupo de teatro Iurupari (da Universidade Federal do Oeste do Pará – Ufopa), e dirigido por Leandro Cazula, em 2015. A trilha sonora completa e mais informações deste espetáculo estão aqui.
“Dança do Enteu” (faixa 15) foi feita em 2000, para a peça “Ad Infinitum”, da Companhia Atores Contemporâneos, com direção de Miguel Santa Brígida; e “Lua” (faixa 12) é da peça “Ora noite, ora dia”, montada em 2002 pelo grupo In Bust – Teatro com Bonecos.
Por fim, “No Reino de Hades” e “Mariazinha, The End” (faixas 14 e 16) são do filme “Quem vai levar Mariazinha para passear?”, dirigido por André Mardock em 2012. O filme está disponível no YouTube, no canal do próprio diretor. Assista aqui:
Arte de Luciana Leal
Última atualização em
.
4 respostas para “Trilhas Sonoras (Coletânea)”
Cezar
Muito legal, Fábio!!!
Parabéns pelo trabalho das Trilhas!
Estou compartilhando com meus amigos…
Obrigado pela palavras, Leandro! Sou grato pela oportunidade em trabalharmos juntos nas peças que dirigiste na Ufopa. Foram sempre ótimos momentos.
Abraços e muita arte sempre.
Deixe um comentário